14/12/18 - 11:41

Mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes completam nove meses

Vereador é alvo de mandado de busca e apreensão

Foto: CARLOS DE SOUZA/AFP

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio (MPRJ) cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do vereador Marcello Siciliano (PHS), na Barra da Tijuca, Zona Oeste, e no gabinete, na Câmara de Vereadores, no Centro do Rio, na manhã desta sexta-feira (14). O mandado tem relação com os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Na casa dele, foram apreendidos um tablet, um computador, um HD e documentos. Siciliano não estava na presente no momento. Em seu gabinete, houve apreensão de computadores. A porta do local precisou ser arrombada, porque até às 9h, o vereador não havia aparecido para trabalhar. O material apreendido será encaminhado para Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), que investiga o caso.

O vereador é alvo das investigações porque uma testemunha contou para as Polícias Civil e Federal que ele planejou a morte de Marielle, junto com o ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica. Siciliano, assim como outros parlamentares, chegou a prestar depoimento durante as investigações, mas nega as acusações.

Caso Marielle

Foto: Reprodução

As mortes da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes completam nove meses nesta sexta-feira (14). Ela e o motorista voltavam de um evento na Rua dos Inválidos, na Lapa, quando um carro parou ao lado de seu veículo, na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, e dois homens dispararam, fugindo em seguida. Na ação, Marielle e Anderson foram atingidos e não resistiram aos ferimentos.

Investigações

Policiais da Divisão de Homicídios (DH) cumpriram, na quinta-feira (13), mandados de prisão e de busca e apreensão relacionados à morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista, Anderson Gomes, em vários pontos da capital fluminense e nas cidades de Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Petrópolis e Juiz de Fora, em Minas Gerais.

O Ministério Público do Rio (MPRJ), por meio da Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (DDIT-CSI/MPRJ), o tipo físico do atirador e os outros trechos por onde o carro passou após o crime, por meio de softwares de alta tecnologia, porém não divulgou o resultado. A Divisão atua em auxílio ao trabalho dos promotores. Outro avanço nas investigações foi o mapeamento feito por meio da análise de centenas de imagens que identificaram onde estavam os envolvidos no crime em novos locais além dos que já haviam sido identificados.

No mês de maio, Thiago Bruno Mendonça, de 33 anos, foi preso dentro de uma loja do Shopping Nova América, no bairro Del Castilho, na Zona Norte do Rio, pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHCapital), suspeito de envolvimento nas mortes da vereadora, do motorista Anderson Gomes e do colaborador do vereador Marcelo Siciliano, Carlos Alexandre Pereira Maria. Thiago foi citado por uma testemunha-chave do caso, que afirmou que ele teria sido responsável por seguir os passos da vereadora antes do crime.

Em julho, a Delegacia de Homicídios da Capital (DH) prendeu mais um suspeito de envolvimento nas mortes. O homem, conhecido como Cachorro Louco, é o ex-PM Alan de Morais Nogueira. O militar reformado é acusado de ser um dos ocupantes do carro em que estavam os executores. O ex-bombeiro Luis Cláudio Ferreira Barbosa também foi preso por envolvimento no crime. Ambos podem fazer parte da milícia chefiada pelo ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica.

Em agosto, o MPRJ enviou um documento ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, no qual reafirma considerar de extrema relevância a cooperação de quaisquer estruturas estatais de poder nas investigações. No documento, o procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, destacou a colaboração da Polícia Federal (PF) para a elucidação do caso. De acordo com o texto, qualquer iniciativa para agregar esforços deve ser realizada pelo atual comando do setor.

0 comentários