20/02/19 - 13:49

Palavra Amiga / Heitor

    Boa tarde heleno e família tupi.

    Tenho 51 anos, estou divorciado e trabalho como professor de educação física. Eu era popular na escola, tinha muitos amigos e tirava as melhores notas. Mas eu vivia procurando por algo para preencher um vazio muito grande que tinha em mim. Porque mesmo a minha família sendo unida e eu estar rodeado de amigos, eu me sentia muito sozinho. Com o passar do tempo, tentei deixar isso de lado e me concentrar em outras coisas, como entrar na faculdade, trabalhar e vencer na vida.

    Eu consegui me formar em nutrição, mas não gostei de excercer a profissão, porque com o tempo eu enjoei. Ingressei em educação física, mesmo com meus pais dizendo que já era um pouco tarde para mudar de curso e objetivos profissionais. Mas consegui vencer os obstáculos e me tornar professor de educação física, profissão que excerço até hoje e amo muito. No fim da faculdade eu conheci a “Raquel”, que parecia um anjo, sempre doce e sorridente e me apaixonei perdidamente. Namoramos por dois anos e nos casamos, nesse meio tempo eu quase não pensava no vazio que eu sentia desde que era pequeno, mas ainda estava lá.

    E com o tempo eu comecei a me sentir sozinho novamente, mesmo com a minha esposa linda sempre me dando atenção. Ela engravidou e achei que as coisas melhorariam com a chegada do meu filho, mas logo depois que ele nasceu eu chorei muito porque fiquei pensando se ele também se sentiria assim quando crescesse. A depressão então me pegou de vez, faltei vários dias no trabalho e a “Raquel” achou que eu estava doente. Na minha cabeça achei que estava sendo um peso para minha família, então fiz minhas malas e fui embora sem nem me despedir, saquei todo o dinheiro do banco e coloquei em cima da cama junto com um bilhete explicando que eles ficariam muito melhores sem a minha presença.

   Heleno, esse foi o pior erro que cometi em toda a minha vida, não percebi na época, mas sei muito bem disso hoje. Comecei a beber muito e a usar drogas, morei na rua. Até que um dia eu tive uma overdose e alguém me levou para o hospital. E quando acordei tinha uma pessoa que eu não conhecia ao meu lado e disse que foi deus que colocou ele no meu caminho para salvar minha vida. Eu agradeci, mas aquele homem não ia embora, o nome dele era “Joel” e ele contou que poderia me ajudar se eu quisesse, e eu não entedia qual era o objetivo que ele tinha em me ajudar. Depois que tive alta do hospital ele me levou para casa dele, pediu que eu tomasse banho e me deu algumas roupas.

   Eu agradeci e já estava saindo pela porta, porque não queria me aproveitar da hospitalidade e também porque eu estava com abstinência das drogas. Mas ele me levou para uma igreja e disse que se eu estivesse sentido um vazio dentro de mim, era para ir com ele. Eu concordei, afinal não tinha mais nada a perder e vi que foi através de deus que larguei as drogas e preenchi meu vazio. E foi aí que eu sabia que tinha que consertar o que fiz de errado com a minha família. Eu os tinha abandonado e fugi, ao invés de valorizar aqueles que sempre cuidaram de mim e me amaram.

    Tomei coragem, agradeci ao “Joel” por ter me ajudado e fui de volta para minha cidade e retomei meu antigo emprego de professor de educação física. Mas quando voltei, vi que meu filho já era um adolescente, e que muitos anos tinham passado. Minha ex-esposa ficou feliz em me ver, porque devido ao bilhete e ao dinheiro que deixei, ela tinha achado que eu tinha me matado, e estava feliz por eu estar vivo. Mas ela tinha se casado novamente e nunca contou sobre mim para o meu filho.

   Ele achava que o pai dele era o atual marido dela. A “Raquel” estava disposta a contar tudo para o nosso filho, mas tenho medo que essa notícia estrague a vida dele, porque ele já tem um pai que o ama e que o criou e descobrir que foi abandonado por mim pode ser terrível para ele, ainda mais agora na adolescência. Amo meu filho, mas ainda não sei se é o melhor para ele me ter em sua vida e sem saber o que fazer eu preciso muito de uma “Palavra Amiga.”

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