Vereador Carlos Bolsonaro, do PP, quer criar o Dia do Orgulho Hétero. Para quê, lei aqui.
Depois de São Paulo recusar a criação do Dia do Orgulho Hétero por entender que, disse o prefeito Gilberto Kassab, “hétero é maioria, não é vítima de violência, não sofre discriminação, preconceito, ameaças ou constrangimento” e que, portanto, “não precisa se afirmar”, é a vez do Rio de Janeiro ter o seu próprio Dia do Orgulho Hétero – ou ao menos tentar, como quer o vereador Carlos Bolsonaro (PP) (ouça no fim do texto as entrevistas).
Ao Tupi.DOC, o vereador Bolsonaro explica que decidiu criar o dia porque as minorias LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgênero) “estão massacrando a sociedade com seus ideais”. Segundo ele, “como eles têm orgulho de ser gays, nós também temos orgulho de ser heterossexuais”. “E as crianças têm o direito de escolher a sexualidade delas”.
Mas, diz ele, sexualidade é tema para se “discutir dentro de casa” e não na escola. Jair Bolsonoro, pai de Carlos – autor da proposta –, já defendeu “bater” nos filhos “com tendências homossexuais” como forma de correção.
Ainda ao Tupi.DOC, Carlos Bolsonaro reclamou do que chama de “ditadura do movimento LGBT, que está tomando conta do Brasil”. E conclama: “não é hora de nós, parlamentares, nos eximirmos de estar diante desse processo”. Para ele, os vereadores têm papel fundamental por estar mais próximos a população.
“A pessoa não tem que ser analisada por sua orientação sexual”, diz Bolsonaro. “Temos de dar um basta nessa ditadura ridícula que estão tentando impor no país inteiro, e esta é uma maneira de reivindicarmos que o heterossexualismo [sic] é o padrão, é o que Deus escolheu, é o que está escritona bíblia”.
Perguntado se ele acha que gays sejam mortos por sua orientação sexual, Bolsonoro disse não acreditar. “Hoje em dia, um homossexual não pode nem mais morrer de infarto que o culpado vai ser Deus”. Ele diz que um gay que brigue com outro e morra, entra para a estatística como crime de homofobia.
O OUTRO LADO
Já o deputado federal Jean Wyllys (PSOL) – o primeiro e único deputado assumidamente homossexual – diz ao Tupi.DOC que não vê propósito na criação do Dia do Orgulho Hétero a não ser que o objetivo seja “provocar, debochar das reivindicações dos homossexuais por direitos”.
“Criar o Dia do Orgulho Hétero é um deboche”, diz. “É desprezar uma realidade concreta que é que os homossexuais que são assassinados diariamente, debochar de toda a violência simbólica e real que se pratica contra os homossexuais”.
Para o deputado, criar o Dia do Orgulho Hétero “é como criar o Dia do Orgulho Branco, dos Não Deficientes, é uma valorização da supremacia heterossexual e isto é absolutamente inconstitucional”. “É como se o município do Rio deJaneiro não tivesse questões muito mais urgentes”.
Jean Wyllys diz que o Dia do Orgulho Gay existe “tão somente para celebrar o orgulho de uma identidade que é historicamente subalternizada, violentada, difamada”. E compara com o Dia da Consciência Negra, que vem valorizar a identidade negra, que por séculos foi escravizada, diminuída e demonizada.
“Não faz o menor sentido fazer o Dia do Orgulho Hétero porque ele é hegemonia na sociedade”, diz Jean Wyllys, que perguntado se existe privilégio da minoria gay sobre a maioria hétero, responde que esse argumento é para “ludibriar as pessoas mais ingênuas”.
Para ele, não há privilégio, já “os homossexuais sãoassassinados, surrados, são expulsos de casa, são impedidos de ir para escola,sofrem bullying, são demitidos dos trabalhos onde se assumem, são impedidos deadotar filhos, não podem ter uma vida de felicidade”.
O Tupi.DOC posta a seguir o áudio das entrevistas que fez com overeador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PP) e com o deputado federal pelo Rio JeanWyllys (PSOL).