22/02/19 - 13:55

Palavra Amiga / Julia

Boa tarde heleno e família tupi.

    Tenho 31 anos, estou namorando e trabalho como publicitária em uma agência. Eu nunca fui uma garota normal, nunca gostei daqueles filmes água com açucar em que o garoto fazia um gesto grandioso para conquistar a mocinha. Preferia filmes de ação com bombas e explosões, esses eram bem mais empolgantes. Conforme fui crescendo gostei de praticar esportes radicais. Quanto mais perigoso melhor, para o desespero dos meus pais. Mas já adulta eu fui ficando mais calma e buscando um estilo mais alternativo. Coloquei alargadores na orelha e cortei o cabelo bem curtinho.

    Entrei na faculdade de publicidade e me formei decidida à criar e produzir comerciais. Sempre imaginei que a criatividade fosse ser meu forte. Conquistei minha vaga em uma empresa pequena e conheci o “Roberto” do departamento de contabilidade. Achei ele interessante porque ele parecia misterioso porque estava sempre quieto. Chamei ele para sair porque eu normalmente tomo a iniciativa nesses casos. Nós fomos em uma churrascaria e descobri que ele tinha um gosto muito parecido com o meu, gostava de músicas dos anos 70 e 80, dos mesmos livros que eu e de alguns esportes mais radicais. Conversamos a noite toda e quase perdemos a noção do tempo.

    Depois de mais três encontros decidimos começar a namorar sério. Íamos à museus, à trilhas e em shows. Os primeiros meses de namoro foram os melhores da minha vida. Mas logo depois disso o “Roberto” começou a mudar de atitude, ele queria ir ver filmes românticos no cinema, e teve uma vez que ele até chorou! E olha que a história nem era triste. Heleno, até aí tudo bem, porque não somos a mesma pessoa, então podemos gostar de coisas diferentes. Mas logo depois disso ele comprou um urso de pelúcia tão grande que era maior do que eu.

   Não gosto desse tipo de romantismo, mas achei melhor não falar nada, porque deve ter custado caro. Na semana passada, no nosso aniversário de um ano de namoro ele apareceu na minha porta, com um bando de mariates fazendo uma serenata. O “Roberto” canta muito mal, mas soltou a voz o mais alto que pôde. Meus vizinhos acharam engraçado e começaram a filmar. Eu quis enfiar a cabeça em algum buraco por causa do tamanho do mico que ele me fez passar. O pior é que alguns vizinhos, não acharam tão engraçado assim e começaram a jogar sapatos e bolinhas de papel nele.

    Depois de finalmente se cansar de cantar, o “Roberto” entrou na minha casa com doze buquês de rosas vermelhas, uma para cada mês que estamos juntos. Eu sorri muito forçadamente, porque sei o quanto ele se esforçou para me supreender, mas não foi uma surpresa muito boa para mim. Agora estou com um monte de rosas em casa e não sei o que fazer com elas, estão inclusive atraindo abelhas para dentro da cozinha. Eu falei para os meus pais e meus amigos e eles acharam a atitude do “Roberto” adorável.

   Mas eu estou achando um verdadeiro grude. Não gosto de homem tão meloso assim, mas gosto da personalidade do “Roberto”. Acho que seria muita estupidez terminar com um cara tão legal só porque ele faz gestos grandes demais para demonstrar seu amor. Mas também acho que o “Roberto” não vai parar por aí e só vai continuar sendo um cara grudento e meloso demais e sem saber o que fazer eu preciso muito de uma “Palavra Amiga”.

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