03/06/17 - 16:35

Entrevista exclusiva com o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira

No próximo domingo (4),  será disputado o clássico entre Flamengo e Botafogo, às 11h, em Volta Redonda. Você poderá acompanhar tudo aqui na Rádio Tupi, com a narração de José Carlos Araújo e comentários de Washington Rodrigues, o Apolinho.
 
No show da galera deste sábado, Thiago Véras e Wagner Menezes entrevistaram o presidente alvinegro, Carlos Eduardo Pereira. Veja como foi:

Thiago Véras: Presidente, se vier uma vitória do Botafogo em cima do Flamengo, sem dúvidas dará uma moral a mais nesse início de Brasileiro.

Realmente. Hoje nós estamos vivendo de decisão em decisão. O Botafogo desde fevereiro vem disputando várias decisões em sequência e felizmente com muitos bons resultados, desde a pré-libertadores até a própria libertadores, e o começo de campeonato brasileiro e copa do brasil. É uma sequência bastante dura, mas nosso elenco está tendo bastante comprometimento e tenho certeza que amanhã eles farão uma ótima partida.

Wagner Menezes: Qual o segredo do sucesso do Botafogo? É impressionante como o senhor, nesse período que está a frente do Botafogo, conseguiu equilibrar a questão financeira e organizou o futebol do clube.

É um trabalho de equipe, muito amplo, que vai desde o mais humilde funcionário do clube até a nossa torcida. Conseguimos essa ligação de propósitos e dedicação, estamos procurando fazer um trabalho voltado unicamente para o resgate das melhores tradições do Botafogo. Felizmente, temos tido sorte nesse processo e não há como dizer que você consegue fazer as coisas sem ter sorte . Temos encontrado na torcida do Botafogo uma parceira de todas as horas, com muito engajamento, dedicação e vibração. Esse clima contagiou nosso elenco, que conta com uma excelente liderança de Jair Ventura. A união é o principal fator.

Thiago Véras: O senhor disse que o Botafogo está indo de decisão em decisão e foi o mesmo termo que o Roger usou no meio de semana. Se pra quem no momento não acreditava, hoje vendo o time nas quartas da copa do brasil e nas oitavas da Libertadores, agora no meio do ano dá para acreditar que o Botafogo vai conseguir algum título?

Acreditamos muito. Todo trabalho é feito para isso. Hoje nós estamos evoluindo bem em tres grandes competições: Copa do Brasil, Libertadores e Brasileiro. Na libertadores já vencemos grandes adversários e o mais importante dessas decisões, é que vão passando confiança para o nosso elenco e torcida. Na libertadores não tivemos público abaixo de 30 mil. Nas decisões, a equipe tem mostrado maturidade, tranquilidade e soube superar os adversários fazendo bem aquele segundo jogo fora de casa. Esse empenho faz com que a gente tenha muito confiança e coloca o Botafogo como candidato a chegar nas finais. Ganhar é do esporte, ganha só um, mas temos muita confiança no grupo e no trabalho que está sendo realizado.

Wagner Menezes: A saída do Botafogo e a entrada do Flamengo no estádio Luso-Brasileiro, aumentou a rivalidade entre os clubes? Entendeu como se fosse uma provocação?

Não, de jeito nenhum. Eu vi como uma mudança de parceria dentro da normalidade. Até porque nosso contrato com a Portuguesa venceu em 31 de Dezembro de 2016 e a outra equipe assumiu em Janeiro de 2017. Não vejo enhuma conexão. Os dois projetos, pelo que eu já vi, são bem distintos entre si e cada um optou por um determinado formato. O nosso funcionou muito bem. A arena Botafogo foi fundamental para que o Botafogo chegasse a quinta colocação no Brasileiro.

Thiago Véras: É melhor, pior ou indiferente o jogo acontecer em Volta Redonda? Se o Botafogo vencesse na ilha, o torcedor alvinegro iria provocar o rival, pois hoje está na administração do Flamengo. Se o Flamengo vencesse, eles que iriam provocar.

Eu acho que é indiferente, pois a rivalidade do clássico é muito grande. Os jogadores do Botafogo tem a noção de que é outra decisão. Não é um jogo comum, tem uma importância para a torcida e diretoria. Isso vai estar em campo com eles em Volta Redonda, Marcanã ou em qualquer outro estádio. Sem dúvida alguma, é um clássico que traz uma carga de rivalidade e que seja pacífica e no campo esportivo. Sem violência e que as famílias possam disfrutar de um belo espetáculo.

Wagner Menezes: Sobre Sassá, desde a primeira conversa que o empresário dele teve com a diretoria,  a questão das luvas e o acerto que não aconteceu  e também tem o Airton, que parece que está pedindo luvas muito altas. O que está acontecendo? Será que é o fato do Botafogo está em alta, todos querem tirar uma casquinha?

Tem a um pouco disso e a imagem que a Libertadores passa, que ela é um trem pagador e que traz prestígios as equipes. Os clubes recebem pagamento pelas partidas que eles realizam em casa e não fora. E diferentemente da Copa do Brasil em que viajamos com a logística paga, os clubes brasileiros tem que arcar com a logística internacional, das suas viagens. Não sobra tanto dinheiro como gostaríamos. Mas o fato de você estar em evidência, superando os obstáculos, muitas vezes os empresários, que são os que negociam com os clubes, até sem o conhecimento exato dos jogadores, eles começam a exigir valores acima do mercado. Acreditando que os seus atletas vão ter uma valorização muito alé m daquela que de fato ocorre.

Wagner Menezes: Isso te aborrece, presidente?

Não, aborrecer não. Em termos de futebol, a figura do empresário, criado pela famigerada Lei Pelé, tornou o empresário o protagonista. O clube e o jogador, são figuras de segunda linha, ao sabor da ganância e interesse dos empresários. Não generalizo, mas muitos se aproveitam do que a Lei Pelé faculta, para tentar força condições e ganhar dinheiro de forma pouco ética.

Thiago Véras: Qual a expectativa de contratar mais jogadores, alguns reforços? Sabemos da dificuldade hoje, da pedida salarial e da questão financeira do Botafogo. 

A expectativa é de respeito ao nosso orçamento. Sabemos que cada vez que damos um passo adiante, e se aproxima de uma conquista, vem uma cobrança de mais reforços. Realmente as tabelas disputadas simultaneamente são muito rigorosas e em algumas posições, temos dificuldades e outra por exemplo, a Copa do Brasil, hoje não é possível mais inscrever nenhum jogador na competição. Para Libertadores, poderemos fazer algumas inscrições, são três e já sabemos de dois, Jefferson e Arnaldo. Temos que compatibilizar qualquer contratação que o jogador possa jogar o Brasileiro e  a Libertadores. Isso não é fácil, pois aquelas equipes que já saíram da Libertadores e que poderiam fornecer jogadores, você faria apenas uma contratação para o Brasileiro. A comissão técnica está fazendo uma grande avaliação e tem uma série de nomes e queremos buscar algum nome que esteja dentro da nossa realidade. Esperamos melhorar o nosso elenco e deixar o Jair com mais opções. Grandes contratações de grandes nomes, eu não prometo ao torcedor do Botafogo. 

Wagner Menezes: Como o senhor vê a posição do Montillo, que gostaria de devolver dois meses de salário?

Aquilo me pareceu uma discussão do atleta com algumas pessoas nas redes sociais. Acredito que nem torcedores do Botafogo são. Muitas pessoas criam perfis fakes para criar a discórdia. O Montillo tem mostrado comprometimento com o Botafogo. Ele já quis devolver uma parte dos salários enquanto estava no departamento médico. Nós agradecemos e não aceitamos. A contusão faz parte do esporte e ele está se dedicando. Não houve mudança da nossa posição, não aceitaremos a devolução. Espero que ele volte o mais rápido o possível e confio que ele vai dar muitas alegrias para a torcida do Botafogo. Essas discussões por rede social não conduzem a nada.
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