21/06/16 - 23:42

Procuradoria entra com recurso e Flamengo pode ter multa maior, além de perder, pelo menos, cinco mandos de campo

A procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva entrou com recurso pedindo uma reforma parcial da decisão da 1ª Comissão Disciplinar. O subprocurador Willian Figueiredo classificou a punição como branda e pede que a punição não seja inferior aos R$100 mil reais e que, em pelo menos cinco jogos, os clubes joguem com portões fechados. 
Na segunda-feira passada (13), Flamengo e Palmeiras foram punidos pela briga dos seus torcedores no Estádio Mané Garrincha. O time paulista acabou sendo punido em multa de R$80 mil e a perda de um mando de campo, enquanto o Rubro-negro sofreu a punição de R$50 mil e perda de um mando de campo. Ainda não existe previsão para o novo julgamento, já que o mandato atual acaba em julho.
Para reforçar seu argumento, o subprocurador também afirmou que a pena branda seria como um prêmio para toda a violência vivenciada. Segundo ele: "Para o Segundo Recorrido, cuja torcida começou o espetáculo de vandalismo, perder um mando de campo é o Oscar para a violência".
A Equipe de Reportagem da Super Rádio Tupi conversou com o procurador geral do STJD, Paulo Schmidt, que explicou, de fato, tudo o que foi entendido pelo Tribunal.
"A procuradoria entendeu como insuficiente a pena aplicada, já que um torcedor ficou entre a vida e a morte. Além disso, foram presenciadas cenas de extrema violência, com adequação do esquema de segurança, gás lacrimogênio e interrupção da partida. Por muito menos, os clubes já foram punidos com penas superiores. Dessa forma é importante interpor com o recurso.
Além disso, Paulo Schmidt também garantiu que, de acordo com esse novo recurso, os clubes não devem ter uma pena com menos de cinco jogos sem o mando de campo. 
"A gente apresenta o recurso, solicita o aumento da pena e fica a critério dos auditores, mas sem dúvida nenhuma, tem que ficar maior do mínimo previsto, já que o fato foi muito grave".
A equipe de Reportagem da Super Rádio Tupi também conversou com o advogado do Flamengo, Michel Assef Filho, que afirma que, infelizmente, o clube não pode fazer nada, quando a vontade de diversas pessoas é causar confusão nos estádios.
"Esse é o papel da Procuradoria, apesar de eu não concordar. (…) A denúncia pedia incontáveis perdas de campo e eles insistem nisso, nessa teoria deles. Muito embora os clubes tomem todas as providências para evitar a desordem no desporto, como essa que bandidos e centenas de pessoas decidem romper barreiras de bloqueio para fazer baderna com único intuito de agredir agredir a torcida adversária, é impossível tomar uma atitude que possa prevenir ou reprimir de uma maneira eficaz".  
Michel aproveitou para questionar o que poderia ser feito pelo esquema de segurança, o que poderia ainda ter problemas maiores. O advogado Rubro-negro também pede que as punições aos verdadeiros envolvidos sejam repensados para não prejudicar o bom torcedor.
"O que o policiamento poderia fazer, além do que foi feito? Qual deveria ser a reação deles num evento como esse? O Flamengo participou de reuniões com a Secretaria de Segurança, apresentou um plano de segurança que foi aprovado por todas as autoridades envolvidas, foi elogiado pelas atitudes que vem tomando preventivamente, antes dos jogos, mas é impossível que a prevenção seja eficaz, como foi neste caso. Se a Justiça Desportiva decide por punir um clube que não teve qualquer conduta omissiva, ela está premiando o bandido, ele vai lá com essa intenção, de prejudicar o clube e o bom jogador. Além de estar punindo bom torcedor, que não vai poder assistir os outros jogos. (…) Ela não tem eficácia. A Justiça Desportiva tem que pensar em algo alternativo e a procuradoria deveria propor algo, ao invés de sair denunciando em algo que não tem eficácia".
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