03/09/18 - 09:18

Incêndio destrói Museu Nacional na Quinta da Boa Vista

Maior parte do acervo histórico e cultural, composto por mais 20 milhões de peças, foi perdido

Um incêndio de grandes proporções destruiu o prédio do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. O incêndio começou por volta das 19h30 de domingo (2) e na manhã desta segunda-feira (3) bombeiros continuam fazendo trabalho de rescaldo no local.

A maior parte do acervo histórico e cultural composto por mais de 20 milhões de peças, foi destruído pelo fogo e pela água utilizada no combate as chamas, entre eles o fóssil humano batizado de “Luzia”, o mais antigo encontrado no Brasil, uma coleção egípcia que começou a ser adquirida pelo imperador Dom Pedro I, a coleção de arte e artefatos greco-romanos da Imperatriz Teresa Cristina e as coleções de Paleontologia que incluem o Maxakalisauras topai, dinossauro proveniente de Minas Gerais. Pedaços e documentos foram encontrados em vários bairros do Rio.

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Os bombeiros precisaram do auxílio de caminhões-pipa no combate as chamas e, segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Roberto Robadey Costa Junior, a falta de carga em hidrantes atrasou em aproximadamente 40 minutos o trabalho dos agentes e foi necessário usar água do lago da Quinta da Boa Vista no combate ao fogo.

Funcionários do museu e pesquisadores também ajudaram, orientando o trabalho dos bombeiros para tentar impedir que o fogo chegasse a uma parte do museu que contém produtos químicos e alguns deles inflamáveis, usados na conservação de animais raros.

A assessoria de imprensa do museu e do Corpo de Bombeiros informou que não houve feridos. Os quatro vigilantes que estavam no local conseguiram sair a tempo.

A Polícia Civil abriu inquérito e a Delegacia de Repressão a Crimes de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, da Polícia Federal, irá conduzir o caso e apurar se o incêndio foi ou não criminoso.

O diretor do museu, Alexandre Kellner, disse que é preciso repensar a maneira como se cuida da história e que o incêndio é o resultado de como ela é tratada. Ele disse ainda que há um período de luto, mas é preciso agir.

 

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Falta de verba

O Museu Nacional – integrante do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro e vinculada ao Ministério da Educação completou 200 anos em 2018 e foi residência de um rei e dois imperadores – foi afetado pela crise financeira da UFRJ e funcionava com orçamento reduzido. Há três meses, a direção havia assinado um contrato de patrocínio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Devido à falta de verba, o museu chegou a anunciar uma vaquinha virtual para arrecadar R$100 mil e reabrir a sala mais importante do acervo.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o Museu estava em situação irregular e há um mês a organização teria entrado em contato com a Corporação, pois haviam conseguido recursos e queriam se regularizar.

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Autoridades

Presidente Michel Temer Incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional. Hoje é um dia trágico para a museologia de nosso país. Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros.”

Ministério da Educação o trágico incêndio ocorrido neste domingo no Museu Nacional do Rio de Janeiro, criado por Dom João VI e que completa 200 anos neste ano. O MEC não medirá esforços para auxiliar a UFRJ no que for necessário para a recuperação desse nosso patrimônio histórico.”

Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão “É um dia de profunda tristeza para todos nós brasileiros. Difícil expressar tamanha perda de construção e acervo de valores inestimáveis. Perdemos uma referência do país. Perdem o patrimônio histórico mundial, a cultura, a ciência, a educação. Perdem os brasileiros e o mundo. Manifesto a minha solidariedade aos funcionários do museu.”

Prefeito do Rio, Marcelo Crivella “Trágico incidente que destruiu um palácio marcante da nossa história. É um dever nacional reconstruí-lo das cinzas, recompor cada detalhe eternizado em pinturas e fotos e ainda que não seja o original continuará a ser para sempre a lembrança da família imperial que nos deu a independência, o império, a primeira constituição e a unidade nacional.”

Alunos da UFRJ realizam nesta segunda-feira (3) um protesto em frente a entrada principal da Quinta da Boa Vista. O evento foi divulgado por meio de redes sociais. De acordo com estudantes, o objetivo do ato é exigir verbas para manutenção e para obras de estruturação do Museu Nacional. Além disso, ainda segundo alunos, às 16h, haverá outro protesto na Cinelândia, no Centro do Rio.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Estudantes de museologia da UNIRIO estão se mobilizando para preservar a memória do Museu Nacional e para isso, pedem que aqueles que tiverem imagens (fotos, vídeos e até mesmo selfies) do acervo e espaços expositivos compartilhem pelo email [email protected]

Foto: Divulgação

 

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