02/06/17 - 13:51

Cabral é denunciado pelo MPF pela nona vez

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral foi denunciado mais uma vez pelo Ministério Público Federal (MPF). Junto a ele foram denunciados a ex-esposa Susana Neves, o irmão Maurício Cabral, o operador Carlos Miranda e o dono da FW Engenharia Flávio Werneck. Com essa, já são nove denúncias do Ministério Público Federal do Rio e há ao menos mais uma do Ministério Público do Paraná. 
Na denúncia, é citado o pagamento de R$1,7 milhão em propina. O dinheiro teria sido lavado através de empresas de fachada. O MPF pede a condenação de Cabral e mais dois por 36 atos de lavagem de dinheiro.
 
No início do mês passado, dois endereços ligados a Susana Neves foram alvo de busca apreensão. Os citados não foram localizados e Cabral tem dito que só fala sobre o processo na Justiça. 
Por meio de apurações nas Operações Calicute e Eficiência, descobriu-se que Suzana Neves havia comprado um imóvel em São João del Rio por R$600 mil, em nome de sua empresa, a Araras Empreendimentos Consultoria e Serviços Ltda, sem que tivesse recursos aparentes de origem lícita compatível. O Ministério Público investiga se o imóvel é utilizado para guardar bens de valor comprados com recursos ilícitos da organização chefiada pelo ex-governador, porque informantes relataram que, nos meses de janeiro e fevereiro de 2017, houve descarregamento de um “container de quadros” no imóvel.
 
A defesa de Suzana disse que ela jamais escondeu obras de arte ou qualquer outro objeto em sua residência. Disse ainda que o imóvel pertence à mãe dela e ao falecido pai desde a década de 1970 e que ela está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários à investigação. 
A Receita Federal constatou que a empresa de Suzana Neves teve movimentação financeira incompatível com a receita bruta declarada e distribuiu lucros e dividendos incompatíveis com as receitas obtidas nos exercícios de 2007 a 2009 e de 2011 a 2015. A sede da empresa fica na residência de Suzana, no bairro da Lagoa, Zona Sul do Rio e não há nenhum funcionário registrado, segundo levantamento. Ela também teria usado o imóvel para ocultar a origem ilícita de R$ 1.266.975,00. Foram identificadas 31 transferências bancárias de recursos oriundos do grupo de empresas da empreiteira FW Engenharia, por intermédio da empresa Survey Mar e Serviços Ltda, entre outubro de 2011 e dezembro de 2013, que fazia pagamentos a Araras Empreendimentos a título de serviços de consultoria em valor quase duas vezes maior que sua renda bruta declarada. 
Em diligências de busca e apreensão autorizadas durante a Operação Calicute, foram apreendidas diversas anotações que indicam o pagamento de propina pela empreiteira FW Engenharia em benefício da organização criminosa chefiada por Sérgio Cabral. 
As oito denúncias já apresentadas pela Força Tarefa da Lava Jato revelam como Sérgio Cabral instituiu um esquema de cartelização de empresas e favorecimento em licitações, mediante pagamento de propina de cerca de 5% em todas as grandes obras públicas de construção civil contratadas junto ao ente público, quase sempre custeadas ou financiadas com recursos federais.
 
As investigações demonstraram que a organização desviou mais de US$100 milhões dos cofres públicos mediante um processo de envio de recursos oriundos de propina para o exterior.
0 comentários