23/07/18 - 07:49

Chacina da Candelária completa 25 anos com atos públicos no Centro do Rio

Todos os condenados foram soltos antes de cumprir 20 anos de reclusão

Nesta segunda-feira (23), a chacina da Candelária completa 25 anos. O ponto principal das manifestações programadas para o crime que chocou o mundo vai ser uma missa na Igreja da Candelária, no Centro do Rio, às 10h, seguida de uma caminhada em defesa da vida, da Avenida Presidente Vargas até a Cinelândia, onde haverá um ato público e cultural, encerrando a programação.

Monumento em frente a Igreja da Candelária

Relembre o caso

Na madrugada de 23 de julho de 1993, policiais militares que estavam em dois carros atiraram contra jovens que dormiam nos arredores da Candelária.

Por ali, viviam pelo menos 70 crianças e adolescentes. Os menores, Paulo Roberto de Oliveira, de 11 anos, Anderson de Oliveira Pereira, de 13, Marcelo Cândido de Jesus e Valdevino Miguel de Almeida, ambos de 14 anos e “Gambazinho” e Leandro Santos da Conceição, os dois com 17 anos, e os jovens Paulo José da Silva, 18, e Marcos Antônio Alves da Silva, de 19 anos foram mortos.

De acordo com as investigações, a chacina foi uma represália a uma ação do dia anterior, quando um dos meninos foi detido por PMs e por conta disso teriam quebrado o vidro da viatura, ferindo um dos policias levemente.

Wagner dos Santos, que tinha 21 anos na época, foi acordado e obrigado a entrar em um carro, junto com outros dois jovens, e nele foi atingido por quatro tiros. Em seguida, eles foram deixados próximos ao Museu de Arte Moderna do Rio (MAM), no Aterro do Flamengo.

Dos baleados, somente ele sobreviveu e seu relato garantiu a identificação e prisão de quatro envolvidos no crime, sendo três deles PMs e um que já havia sido expulso da corporação.

Foto: Flickr

Quase um anos após ser vítima da chacina, Wagner sofreu um atentado e foi, novamente, baleado por quatro tiros. Ele sobreviveu mais uma vez, e em outubro de 1995 pediu proteção ao então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, para prestar novos depoimentos sobre o caso. Ele se mudou para a Suíça, onde vive até hoje, e só vinha ao Brasil para participar dos julgamentos.

Os autores do crime, Emmanuel Borges, Marcus Vinícius, Marco Aurélio Dias de Alcântara e Nelson Oliveira dos Santos Cunha, foram condenados, cada um, a penas que somavam mais de 200 anos de prisão. Porém, todos foram soltos antes de cumprirem 20 anos de reclusão, com exceção a Maurício, que foi morto durante o processo judicial.

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