28/07/17 - 07:39

Educação Inclusiva: as dificuldades de crianças especiais na sala de aula

por: Isabella Mendes e Rachel Siston

O acesso à educação é um direito de qualquer cidadão, é no ambiente escolar onde somos preparados e formados para desempenhar nosso papel na sociedade e aprendermos, principalmente, a lidar com a diversidade. Cada pessoa tem seu jeito próprio e características distintas, sejam elas físicas ou psicológicas. Porém, estar em uma sala de aula, às vezes, pode ser uma vivência complicada para quem é portador de deficiência. Isto porque, muitas escolas ainda não estão preparadas para receber alunos especiais, como por exemplo, os autistas.

Quando se fala em educação para crianças especiais, as opiniões se dividem entre a educação especial – alunos separados em uma sala com suporte e atenção maior às suas necessidades – e a educação inclusiva – que insere o estudante dentro de sala com outros que não possuem as mesmas necessidades, com o intuito de serem inseridos na sociedade. A educação inclusiva traz uma abordagem humanística e democrática, que trata da singularidade de cada um dos estudantes.

Para o acompanhamento e desenvolvimento de uma criança autista é preciso a presença de um mediador dentro da sala de aula. Este profissional é responsável por aplicar métodos de didática direcionados de acordo com a necessidade do aluno especial, fazendo a integração da criança com os outros estudantes e o auxiliando nas atividades escolares.

Há 10 anos, a professora e mediadora Eulália Gomes Zucarino, de 53, se dedica ao trabalho de apoio pedagógico às crianças especiais. Para ela, o papel do mediador ultrapassa os do colégio. “Buscamos a inclusão do aluno oferecendo apoio nos tempos vagos, tentando mostrar outros assuntos que ajude a prepará-lo para a vida e o trabalho. Questões do cotidiano, como por exemplo, lidar com dinheiro, amarrar um tênis… ações que ele vai precisar aprender para se inserir na sociedade”, explica Eulália.

Uma das principais funções do mediador é promover o diálogo e a interatividade com outros alunos. Eulália defende que a melhor opção seja a educação inclusiva e acrescenta, “Acredito que o direito à educação deve ser igual para todos em uma sociedade”. Ela ainda afirma se surpreender com a reação dos alunos, que aceitam muito bem esse acompanhamento.

Para os portadores de deficiência mental, a inclusão no ambiente escolar é uma oportunidade de contato diferente, uma forma de lidar com o mundo e diminuir o preconceito. Além de ser também, uma chance para os demais alunos aprenderem a lidar com a diversidade. Entretanto, para que ela aconteça com sucesso, é preciso que a unidade de ensino tenha uma estrutura para recebê-los. Todos os funcionários devem estar preparados para lidar com eles. E no ensino público, esta dificuldade pode ser ainda maior.

Sem condições de manter os estudos do filho autista em escolas particulares, a dona de casa, Viviane Justino, de 38 anos, relata que enfrentou dificuldades em matricular o menino Erick, de 16 anos, na rede pública. Segundo ela, não haviam profissionais capacitados para lidar com ele. Erick está no primeiro ano do ensino médio e atualmente é acompanhado por uma mediadora. Para Viviane, o desenvolvimento do filho é perceptível.

Porém, há muitas crianças que não têm o auxilio do mediador dentro da sala de aula, como é o caso de João Victor, de 6 anos. O menino é portador do espectro autismo e sua rotina na escola é reclusa, o que preocupa a mãe Raquel Azeredo, de 43 anos. Ela conta que já recorreu a vários órgãos públicos para conseguir que seu filho seja acompanhado por um profissional qualificado, e mesmo entrando uma denúncia no Ministério Público, seu pedido ainda não foi atendido.

 

A educação inclusiva se faz importante e necessária. Por isso, as políticas públicas devem ser efetivas. O acesso ao ensino não pode ser uma oportunidade, e sim um direito. É importante que os profissionais recebam capacitação para lidar com cada necessidade de cada aluno.

Programas de Inclusão

Para promover a integração e ajudar no desempenho de crianças com necessidades especiais, na cidade do Rio, o Instituto Municipal Helena Antipoff oferece oficinas de artes, música, teatro, dança, educação física e outras para os alunos da rede municipal de ensino. Ao todo, são 464 Salas de Recursos Multifuncionais espalhadas pela Zona Norte e Centro do Rio. Clique Aqui e saiba os endereços.

A diretora do instituto, Kátia Silva, afirma que aproximadamente 1.537 escolas são contempladas pelos Projetos Políticos das Unidades Escolares e que as famílias também são incluídas. Ela explica que, “o objetivo é orientar e dar os devidos encaminhamentos de rede de apoio, recursos de acessibilidade para os 14 mil alunos, orientação aos familiares, além de oferecer formação para os profissionais envolvidos com a Educação Especial na Perspectiva Inclusiva”. Medidas como estas, também acontecem em outras cidades.

Em Niterói, segundo a Fundação Municipal de Educação (FME), os 1.200 alunos com deficiência, matriculados na rede municipal, encontram-se incluídos em classes regulares, junto com outros estudantes, compartilhando os mesmos espaços, com as adequações necessárias.

Além do trabalho com as crianças, a FME mantém o Programa Permanente de Capacitação e Atualização em Serviço, que promove atividades específicas nas áreas das diversas deficiências e desenvolve cursos de formação continuada para os profissionais de educação, servidores e professores contratados e interessados em aperfeiçoar suas práticas pedagógicas a fim de realizar intervenções adequadas.

Outro recurso importante no processo de inclusão e garantia de direitos educacionais é a adaptação ou flexibilização curricular. E de acordo com a coordenadoria de educação especial, faz parte da dinâmica escolar um constante acompanhamento do quadro de professores, a partir das alterações que acontecem no cotidiano.

A Lei nº 7.853/89, da Constituição Federal diz, no art. 205, que a educação é um direito de todos e, portanto, qualquer escola, seja pública ou particular, que se negar a matricular um aluno deficiente, comete crime punível com reclusão de um a quatro anos. Por isso, é necessário fazer valer os direitos das crianças nestas condições, para que elas cresçam e se desenvolvam incluídas na sociedade.

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