05/06/17 - 11:58

Empresas fantasmas eram destinatárias de fuzis apreendidos

Parte da carga de aquecedores de piscina junto à qual a Polícia Civil encontrou 60 fuzis na última semana seria enviada para duas empresas fantasmas. Não foi encontrado nenhum estabelecimento comercial localizado no endereço onde ficaria a sede da Unio Comércio e Importação, em São João de Meriti. Segundo moradores da rua que é residencial, não há empresa importadora de equipamentos. Segundo informações do jornal O Globo, um porteiro de um condomínio empresarial onde está localizada a LBSN Corporativa LTDA, no centro da cidade de Maceió, disse que nunca viu qualquer entrega de aquecedores de piscina ou maquinário no local e, segundo ele, no local só há escritórios de advocacia e contabilidade. 
A Unio Comércio foi criada um ano depois do início das investigações que levaram a apreensão das armas, no ano de 2011. Na Receita Federal, o endereço que consta é a Rua Waldir Lafuente Freire, no bairro do Éden, uma área dominada pelo tráfico de drogas. Também de acordo com a página da Receita Federal, a empresa tem como atividades o “comércio atacadista de outras máquinas e equipamentos não especificados”.
Segundo o porteiro, a firma de Alagoas só recebe cartas, e a Receita Federal informa que a companhia funciona desde 2013. Não há referência à importação de equipamentos para piscina entre as atividades descritas no cadastro da Receita. Consta no órgão federal que a empresa importa artigos de vestuário, peças para motocicletas, doces e medicamentos. 
Fredrik Barbieri, de 45 anos, que mora em Miami, é o chefe da quadrilha que importava fuzis. Ele integra a lista de procuradas da Interpol desde a apreensão. Desde 2015 há um mandado de prisão contra ele expedido pela Justiça Federal da Bahia, por tráfico de armas.  Ele atua no contrabando de armas desde 2010, acredita a polícia.  Fredrik é apontado como comprador das armas no EUA e as envia para o Rio de Janeiro por meio de empresas de fachada. 
O chefe das operações no Brasil tinha um homem de confiança: João Victor Silva Roza, um empresário de São Gonçalo, que foi um dos presos na operação da última quinta-feira. Ele fornecia armas aos traficantes. De acordo com o delegado assistente da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas, um dos responsáveis pelas investigações, Tiago Dorigo, a polícia já identificou 15 criminosos que integram a quadrilha. O lucro com a venda dos fuzis apreendidos seria de R$ 3,5 milhões.
O próximo passa da investigação é identificar o número de série raspado das armas, segundo Dorigo. 
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