30/10/18 - 10:46

Exército instaura inquérito para apurar denúncias sobre tortura

Homens dizem que foram espancados e levaram choques dos militares

O Comando Conjunto informou que o Exército Brasileiro irá apurar informações de torturas realizadas dentro do quartel da Vila Militar, na Zona Oeste do Rio. De acordo com a nota divulgada pelo Comando Militar do Leste (CML), o objetivo é investigar “fatos supervenientes divulgados em matérias jornalísticas de diversos veículos de comunicação”. As diligências serão feitas por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM).

Homens form levados para a Vila Militar, na Zona Oeste do Rio. Foto: Reprodução

As informações foram divulgadas em diversos meios de comunicação entre os dias 26 e 27 de outubro. O Exército informou que irá apurar supostos excessos e abusos contra perturbadores da ordem pública. Os presos foram capturados em uma Operação no Complexo da Penha. O prazo para a conclusão do IPM é de 40 dias. A previsão é baseada no Código Penal Militar e o Código de Processo Penal Militar, prorrogáveis por mais 20 dias.

O inquérito foi aberto após três juízes diferentes ouvirem os relatos dos presos. De acordo com os depoimentos, os homens foram espancados com pedaços de madeira e levaram chicotadas com fios elétricos dentro de uma. As torturas teriam sido realizadas na “sala vermelha” da 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar, no dia 20 de agosto.

O primeiro relato foi de um adolescente, apresentado na Vara da Infância e da Juventude, um dia após ser apreendido. As possíveis vítimas prestaram depoimento no dia 23 de agosto. Na ocasião foram realizadas audiências de custódia na Justiça Comum e na Justiça Militar. Além disso, três defensores públicos fizeram uma visita onde presos estão.

No depoimento os homens afirmam que apanharam no jipe do Exército enquanto eram levados para a Vila Militar. No veículo, eles alegam que levaram choques com armas teaser e jatos de spray de pimenta no rosto. Todos deram a mesma versão do fato. Segundo eles, os quatro foram levados para uma sala vermelha onde encontraram homens com capuz e sem farda. No local um “interrogatório violento” foi feito pelos militares.

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