29/09/16 - 16:19

Governo tem rombo de 71 bilhões e já é considerado o pior da história

O governo federal registrou de janeiro a agosto de 2016 o maior rombo em suas contas para este período em 20 anos. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (29) pela Secretaria do Tesouro Nacional. Este é um reflexo da queda da arrecadação e a dificuldade do governo em conter os gastos.

Nesses primeiro oito meses de 2016, o déficit primário (despesas maiores do que receitas sem contar juros da dívida pública) chega a R$ 71,41 bilhões, o pior resultado para o período da história, desde 1997. No mesmo período de 2014 o governo havia registrado o resultado negativo de R$ 13,96 bilhões.

Em decorrência do baixo nível de atividade e da dificuldade por parte do governo de conter um aumento das despesas públicas em um orçamento com um alto grau de vinculações,  o rombo fiscal se consolida diante do fraco desempenho da arrecadação.

A receita total teve queda real de 6,7% entre janeiro e agosto deste ano. Neste período também houve um aumento nominal de 2,1% na inflação. Paralelamente, as despesas públicas totais cresceram, em termos reais, 1,1% até agosto, para R$ 778 bilhões. Em termos nominais, a alta foi de 10,7%.

Segundo a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, o déficit da Previdência Social explica, atualmente, grande parte do resultado negativo das contas do governo.

“O padrão de ajuste nas despesas discricionárias [sobre as quais o governo tem controle] chega perto do limite. Chegou a hora de mudança de regras com ajuste mais estrutural nas despesas obrigatórias”, acrescentou ela.
A secretária disse ainda que o governo espera um déficit fiscal de R$ 97,9 bilhões nos quatro últimos meses deste ano, de forma que o rombo nas contas públicas em todo ano de 2016, estimado neste momento, é de R$ 169 bilhões – pouco abaixo da meta proposta pelo governo e aprovada pelo Senado, que é de um déficit de até R$ 170,5 bilhões. 

Supervisão: Rafael Cassimiro

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