08/08/16 - 09:32

Mesmo poluída Baía de Guanabara recebe competições de vela

As provas olímpicas de vela, com as primeiras regatas das classes Laser e RS:X masculinas começam hoje por volta de 13h. Durante 11 dias de provas, 120 regatas divididas em cinco categorias, disputam medalhas na Marina da Glória, em quatro áreas da Baía de Guanabara e fora dela. O governo do estado garante que as condições de balneabilidade das águas estão seguras para os atletas.

Uma das promessas olímpicas, mais uma vez, não foi cumprida. A despoluição da Baía de Guanabara é um projeto antigo, e para as Olímpiadas, o Rio de Janeiro comprometeu-se em despoluir 80% do corpo d’água.  Isso seria feito com o saneamento e tratamento do esgoto doméstico dos municípios ao redor da baía e que ainda despejam a carga orgânica diretamente nas águas dos rios que deságuam na região. 

Apesar do governo do estado afirmar que o saneamento na área passou de 12% em 2015 para 50% atualmente, o problema persiste. Ambientalistas e pesquisadores questionam esses números. Para o integrante do movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo, o governo considera como tratado o esgoto que, na verdade, é despejado em mar aberto pelo emissário submarino de Ipanema, que tem cerca de 4 km de extensão.

Ainda de acordo com o ambientalista a promessa de despoluição foi uma propaganda enganosa. “Quando o governo assumiu esse compromisso de despoluir 80% da Baía de Guanabara, nós alertamos que isso era uma propaganda enganosa, absolutamente irreal, e o COI foi irresponsável ao aceitar essa meta estimada pelas autoridades, sem ter um mínimo de crítica. Se o COI tivesse ouvido o BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento], veria que isso é uma propaganda enganosa, com o próprio BID dizendo que o resultado do PDBG [Programa de Despoluição da Baía de Guanabara] era insatisfatório, insuficiente e que nenhuma meta ambiental foi cumprida” conclui.
Entre 1991 e 2006, foram investidos US$800 milhões financiados pelo BID e o Japan Bank for Internacional Cooperation (JBIC).  Em 15 anos, foram construídas quatro estações de tratamento de esgoto, porém os troncos coletores para carregar os efluentes até lá não foram concluídos até hoje. O secretário estadual de Meio Ambiente, André Corrêa, assumiu que a promessa era ambiciosa e que a despoluição custaria R$ 20 bilhões e levaria 25 anos. “Qualquer pessoa que disser que essa baía estará em condições ambientalmente adequadas em menos de 25 ou 30 anos está mentindo. Não vamos fazer isso no curto prazo”, afirmou sobre as medidas tomadas para a Olimpíada no dia 20 de julho.

De acordo com o governo, desde 2007 foram investidos R$ 2,5 bilhões na construção, ampliação ou ativação de estações de tratamento de esgoto (ETEs) e atualmente são sete em funcionamento: Penha, Alegria, São Gonçalo, Pavuna, Sarapuí, Ilha do Governador e Icaraí. Com 380 km quadrados, a Baía de Guanabara envolve 15 municípios e cerca de 10 milhões de habitantes.

Supervisão: Rafael Cassimiro 

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