08/11/18 - 16:24

Rio de Janeiro

Operação Furna da Onça: “Mensalinho” da Alerj movimentou pelo menos R$54 milhões, diz PF

Procurador-regional da República chama Alerj de "Propinolândia"

O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (8) a Operação Furna da Onça para investigar o chamado “mensalinho” da  Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos que envolvia a participação de deputados estaduais do Rio de Janeiro. De acordo com o superintendente da Polícia Federal, o acordo movimentou ao menos R$54 milhões através da compra e venda de votos na Alerj.

Até as 11h, foram cumpridos 20 dos 22 mandados de prisão expedidos, 10 deles contra deputados estaduais. Três nomes já haviam sido presos durante a Operação Cadeia Velha. Dentre os outros sete deputados investigados, cinco deles foram reeleitos no dia 7 de Outubro.

Mensalinhos” e “prêmios” pagos na Alerj:

1 – Edson Albertassi (MDB), já preso em Bangu: R$ 80 mil/mês + R$ 1 milhão

2 – Paulo Melo (MDB), já preso em Bangu: R$ 900 mil/mês + prêmio

3 – Jorge Picciani (MDB), já preso em domicílio por motivos de saúde: R$ 400 mil/mês + prêmio

4 – André Correa (DEM), deputado estadual reeleito e ex-secretário estadual de Meio Ambiente, preso nesta quinta: R$ 100 mil/mês

5 – Chiquinho da Mangueira (PSC), deputado estadual reeleito e presidente da escola de samba, preso nesta quinta: mais de R$ 3 milhões

6 – Coronel Jairo (MDB), deputado estadual não reeleito, preso nesta quinta: R$ 50 mil/mês + prêmio

7 – Luiz Martins (PDT), deputado estadual reeleito, preso nesta quinta: R$ 80 mil/mês + R$ 1,2 milhão

8 – Marcelo Simão (PP), deputado estadual não reeleito, preso nesta quinta: R$ 20 mil/mês

9 – Marcos Abrahão (Avante), deputado estadual reeleito, preso nesta quinta: R$ 80 mil/mês + R$ 1,5 milhão

10 – Marcus Vinícius Neskau (PTB), deputado estadual reeleito, preso nesta quinta: R$ 50 mil/mês

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Após chegar na sede da Polícia Federal, o deputado estadual André Correa (DEM), reeleito como o sétimo parlamentar mais bem votado, anunciou que irá manter a sua candidatura à presidência da Alerj.

De acordo com as investigações, os deputados estaduais recebiam propina da organização criminosa, chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral, como uma espécie de recompensa por defenderem os interesses do grupo criminoso na Alerj.  O procurador-regional da República, Carlos Aguiar disse que cargos públicos foram dados como moeda de troca, e citou o termo “propinolândia” para definir a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

‪“As investigações demonstraram que esses personagens lotearam o estado do Rio de Janeiro para viabilizar a execução dos seus interesses políticos. Alerj se tornou propinolândia.”

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