14/09/16 - 16:35

Operação Lava Jato: MPF denuncia Lula como “comandante máximo”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mulher dele, Marisa Letícia, e mais seis pessoas foram denunciados à Justiça pela primeira vez no âmbito da Operação Lava Jato. O anúncio foi feito pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), nesta quarta-feira (14). 

O procurador do Ministério Público, Deltan Dallagnol, afirma que há um conjunto de evidências que fazem concluir que Lula foi o “comandante do esquema criminoso descoberto pela Lava Jato”, e explica que até agora há 239 pessoas denunciadas na Lava Jato, sendo a maior parte deles no núcleo empresarial, e 129 já foram sentenciadas. 

Deltran Dallagnol diz ainda que houve corrupções e lavagens em atos específicos. Segundo ele, Lula recebeu R$ 3,7 milhões em propinas, pagas de forma dissimulada. A denúncia afirma que todo o megaesquema envolve o valor de R$ 6,2 bilhões em propina, gerando à Petrobras um prejuízo estimado em R$ 42 bilhões.

Segundo o procurador, o Mensalão e Lava Jato são "duas faces da mesma moeda". Os dois esquemas buscavam conseguir um governo mediante corrupção e os objetivos eram alcançar, em favor do PT, uma perpetuação criminosa no poder, juntando recursos para campanhas, e também o enriquecimento ilícito dos integrantes do esquema. 
Ele afirmou ainda que o esquema não estava restrito à Petrobras, mas também a Eletrobras, o Ministério do Planejamento, da Saúde, na Caixa Econômica, podendo ter alcançado outros órgãos públicos. Segundo ele, só era possível obter um cargo alto na Petrobras quem aceitasse participar do esquema e receber propina.
De acordo com o procurador, o quadro trata-se de uma "propinocracia", um governo regido por propinas. Segundo ele, um cartel de empreiteiras conseguia contratos com a Petrobras e pagava valores indevidos a operadores financeiros, funcionários da estatal e políticos. "No centro do núcleo político está o senhor Lula”, afirma.

Propina da OAS 

A denúncia também inclui os nomes do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e do ex-presidente da Construtora OAS, Léo Pinheiro. Os outros quatro denunciados são pessoas ligadas à empreiteira, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Paulo Roberto Valente Gordilho, Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.

A denúncia tem mais de 270 tópicos. Em parte dela, os procuradores afirmam que a autoria de Lula está evidenciada nos pagamentos efetuados pela Construtora OAS em favor da Granero para armazenagem de parte dos bens e pertences pessoais apontados como sendo de propriedade do ex-presidente.

De acordo com a Polícia Federal, a OAS pagou por cinco anos (entre 2011 e 2016) R$ 21,5 mil mensais para que bens do ex-presidente ficassem guardados em depósito da empresa Granero. Os pagamentos totalizam R$ 1,3 milhão. Ainda segundo a PF, o montante corresponde a vantagens indevidas pagas pela Construtora OAS em benefício de Lula.

Supervisão: Rafael Cassimiro

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