28/03/18 - 17:24

Ministério Publico faz denúncia por tortura contra sete traficantes da Rocinha

Homem foi agredido em 2015

Criminosos acusados de torturarem um morador em 2015 na favela da Rocinha, Zona Sul do Rio, foram denunciados nesta quarta-feira (28) pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Sete traficantes teriam participado da sessão de espancamento. A vítima foi um homem suspeito de ter repassado informações sobre o armamento dos bandidos à Polícia Militar. A agressão, que durou duas horas, não terminou em morte porque a vítima correu quando os bandidos se distraíram. Os criminosos estariam preocupados com a possível chegada de agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

O homem foi agredido em 2015. Ele voltava do trabalho quando um dos traficantes o levou para a localidade conhecida como Valão, onde outros criminosos o espancaram. Mais tarde, os bandidos o levaram para uma creche abandonada na Rua 2, local onde o gerente do tráfico ordenou que a vítima levasse pancadas com pedaços de paus.

A denúncia foi realizada pelo promotor Marcelo Muniz Neves, da 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público. Um dos indiciados, Zé Paraiba, era um dos homens de confiança de Rogério 157, quando o traficante ainda era aliado de Antônio Bonfim Lopes, o Nem. Os outros seis bandidos foram identificados como Walison Roque Maciel, o Extremista; Domingos Manuel de Santana Júnior, o Bos; Thiago Silva Mendes Neris, o Catatau; Luiz Carlos da Silva, o Mudinho; Adalberto Ribeiro da Silva, o Zóio; e Julio Medina da Silva, o Rirritinho.

De acordo com Marcelo Diniz, o caso se assemelha a morte do ajudante de pedreiro Amarildo, assassinado por policiais da UPP da Rocinha em julho de 2013. ” É muito parecido, por ser uma tortura e visar teoricamente ao mesmo objetivo: obtenção de dados e punição de eventual informante. A diferença é que este conseguiu escapar”, disse o promotor. Em 2016, 12 policiais ligados direta e indiretamente ao caso foram condenados por homicídio, fraude processual e ocultação de cadáver. O corpo de Amarildo nunca foi encontrado.

0 comentários