03/12/18 - 16:25

Palavra Amiga / Laís

Boa tarde heleno e família tupi.

  Tenho 24 anos, sou solteira e trabalho como professora de português. Quando eu nasci meus pais enfrentaram dificuldades em conseguir emprego e por isso fomos todos morar com a minha avó. E por isso a casa dela é a primeira casa de que me lembro. Vivemos com ela até os meus cinco anos, eu gostava de viver com a minha avó, mas minha mãe não gostava muito por ter que morar de favor e dar satisfações a sogra. Meus pais conseguiram emprego e consequentemente uma casa de aluguel que poderiam bancar. Nossa vida estava melhorando e acabamos morando perto da família, que é bem grande, já que eu tenho dez tios e mais de cinquenta primos. É muita gente e de vez em quando é normal acontecer uma confusão, mas em geral somos bem unidos.

   Mas sempre notei a diferença com que minha avó trata os meus primos com relação a que me trata. Quando eu fazia alguma apresentação na escola ou ganhava uma medalha em alguma competição na educação física ela até ia, mas rapidamente ia embora. Enquanto que quando era algum dos meus primos, ela tirava foto, revelava e colocava bem grande em um quadro na parede da casa dela. Eu sempre ficava bem chateada, mas minha mãe me dizia que ela era assim porque eu e minha avó éramos muito próximas e os outros primos ela quase não via, por isso ela revelava as fotos para se sentir mais perto deles.

   Enquanto que a minha intimidade com ela era mais forte do que entre os primos. Na época, eu ainda aceitava isso. Mas ainda assim, por parte da minha criação ter sido responsabilidade da minha avó eu sempre considerei importante a opinião dela sobre mim. O tempo foi passando e eu fui crescendo e percebendo essa frieza da minha avó até que no dia da minha formatura na faculdade, onde eu esperava vê-la, mas ela não foi. Achei que tinha acontecido algo grave e fiquei preocupada, mas na verdade ela estava na formatura do nono ano do ginásio do meu primo. Eu fiquei muito irritada, mas esperei até o dia seguinte para falar com ela. Então eu fui até a casa da minha avó, sentei no sofá e desabafei.

   Perguntei porque ela me tratava daquela maneira e se eu tinha feito algo que a tinha irritado. Mas ela tentou desconversar e me disse que amava igualmente todos os netos. Mas eu insisti e disse que o tratamento era diferente, até porque eu me formei na faculdade enquanto meu primo apenas passou de série e ela preferiu ir à colação dele em vez de ir na minha formatura. Ela suspirou e disse que na verdade, ela não era minha avó. E que não deveria ser ela a me contar isso, mas que na verdade eu era adotada e que meus pais preferiram não me contar. Minha avó ainda me disse que me amava do mesmo jeito, mas que ficava sem graça por esconder algo tão grande de mim a pedido dos meus pais. Mas como eu já era uma adulta agora, eu já poderia saber isso e que não altera nada na minha vida.

   Isso foi uma bomba no meu colo, eu fiquei chocada, não acreditei no que estava ouvindo. Eu nunca sequer pensei que era adotada. Acho realmente que meus pais me amam da mesma forma, mas também acho cruel eles terem escondido isso de mim todos esses anos. Passei a observar eles quando estava em casa, para ver se assim como a minha avó eles me contariam alguma coisa. Mas creio que nunca foi a intenção deles me dizer nada. Heleno, agora estou na dúvida sobre se devo conversar com eles sobre a adoção ou não. Porque eu tenho muitas dúvidas, mas também eles devem ter um motivo para quardar segredo e sempre foram tão bons para mim e sem saber o que fazer eu preciso muito de uma “Palavra Amiga.”

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