12/11/18 - 11:04

Palavra Amiga / Adelaide

Boa tarde heleno e família tupi.

   Tenho 59 anos, sou casada, tenho três filhos e trabalho em casa como artesã. Meu marido tem 65 anos e é aposentado. Nós completamos no último mês 34 anos de casados. Para completar uma data tão especial, nós tivemos as visitas dos nossos filhos e netos. Eu e o meu marido “José” desde que nos casamos levamos uma vida normal como de qualquer casal, passamos pelas dificuldades e tivemos diversos momentos felizes, principalmente quando os nossos filhos nasceram e depois vê-los se formando e nos dando os nossos netos. O “José” sempre foi um bom marido, um excelente pai, um homem muito responsável e cumpridor dos seus deveres. O tempo não diminuiu os nossos sentimentos, pelo contrário; hoje sei que somos muito mais amigos, companheiros, cúmplices e parceiros.

   O que vem acontecendo na minha vida atualmente, está colocando a nossa união em risco e eu não queria perder o meu marido, mas também não sei o que é mais certo fazer nesse momento em que me encontro. Escuto diariamente a rádio tupi, gosto de toda a programação e confesso que a palavra amiga é o meu quadro preferido, mas nunca pensei em participar, nunca imaginei que passaria pelo que eu tenho vivido nesses últimos meses. O “José” meu marido, trabalhou por muitos anos numa empresa e quando chegou a hora dele se aposentar, o “José” achou que a empresa ainda ficaria com ele como funcionário, mas não foi bem isso que aconteceu. Assim que o “José” foi aposentado a empresa o descartou, ele ficou muito triste, mas disse que também já era a hora dele descansar um pouco.

   Com a indenização, nós reformamos a casa que vivemos e guardamos o restante para alguma emergência. Vivemos de forma normal com as nossas aposentadorias, só colocamos a mão onde alcançamos. No começo, o “josé” sempre arrumava alguma coisa para fazer dentro de casa, mas com o passar das semanas, ele começou a ter um comportamento diferente, ele se tornou um chato, tudo ele se mete, tudo pergunta, tem que ter hora para cada coisa e isso tem mexido muito na minha rotina. Eu entendo que essa mudança na vida dele, de uma pessoa que saía todos os dias para trabalhar e só voltava no final da tarde e agora ele fica o dia inteiro em casa me perturbando e isso está me deixando maluca. Na verdade, eu nunca gostei de homem dentro de casa, acho que atrapalha e o “José” tem passado de todos os limites.

   Ele acorda bem cedinho e às 07:00 em ponto o café tem que estar na mesa. Se por acaso o almoço não estiver sendo servido ao meio dia, ele já começa a fazer cara feia e dizer que estou muito atrasada. Ele não me ajuda nas tarefas domésticas e ainda coloca defeito em tudo que eu faço. Implica com coisas insignificantes, como por exemplo: se está calor, se a comida não está quente o suficiente, se as pessoas estão soltando muitos fogos, se o vizinho resolveu dar uma festa ele fica p da vida e isso vem transformando os meus dias em algo insuportável. Até com as minhas amigas que vem comprar o meu artesanato o “José” fica impaciente. Perto da nossa casa tem uma praça, eu já cansei de pedir para o “José” ficar por lá e fazer amizade com alguns dos nossos vizinhos que ele só troca um bom dia, mas não, ele prefere ficar dentro de casa e me persegue.

   Tudo que eu estou fazendo tenho que parar e explicar para ele por quê estou fazendo daquela forma e isso me tira do sério. Eu amo o meu marido, mas eu não estou aguentando ele dentro de casa o dia inteiro, quando peço para ele ir na rua comprar alguma coisa, ele não gosta e faz cara feia, muitas vezes eu nem estou precisando daquilo que eu pedi para ele comprar, mas é pelo simples fato para que eu possa ficar um pouco sozinha e respirar. Para aliviar o meu estresse fui passar alguns dias na casa da minha filha, ele não quis ir e ficava ligando o dia inteiro perguntando onde estavam as coisas, ele encheu tanto o meu saco que eu acabei voltando para casa no dia seguinte. Combinei com ele que iríamos passear em minas gerais no próximo final de semana, foi horrível, ele reclamava de tudo o tempo todo.

   O que deveria ser um passeio para nos distrair virou uma grande confusão quando ele brigou com outro senhor que acidentalmente pisou no pé dele. Meus filhos acham que pelo fato do pai ter se aposentado, ele não tem o que fazer e por isso fica agindo assim. Eles já conversaram com o pai e o aconselharam a se ocupar, indo para uma academia, fazer algum serviço voluntário, coisas que o tirem de dentro de casa e faça ele se sentir útil, mas não tudo que foi proposto o “José” rejeitou e ficou ainda pior do que já estava. Sinceramente eu estou ao ponto de enlouquecer, até se eu estiver no banheiro e demorar mais um pouco ele fica batendo direto na porta e dizendo que eu estou gastando muita água e sem saber o que fazer nesse momento complicado, eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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