25/10/18 - 11:53

Palavra Amiga / Bia

Boa tarde heleno e família tupi.

  Tenho 29 anos, sou casada, tenho três filhos e trabalho em casa como confeiteira. Meu marido, o “Abel” tem 34 anos e trabalha como assistente de contador em um escritório. Aos 17 anos eu perdi a minha virgindade com o “Abel”, eu contei para a minha mãe e ela para o meu pai que achou melhor conversar com o “Abel” e na mesma hora ele disse que tinha a intenção de se casar comigo. A gente preparou tudo com a ajuda da família e tivemos um casamento bem bonito e dentro das nossas possibilidades. Logo eu engravidei e tivemos o nosso primeiro filho e anos depois mais dois filhos. Eu não queria sair para trabalhar fora e deixar as crianças com a nossa família, logo eu e o “Abel” decidimos que somente ele iria trabalhar fora para dar conta de sustentar a todos nós. Eu queria ajudar, fui fazer alguns cursos e me especializei em confeitaria.

  Eu achava muito importante contribuir e não deixar tudo nas costas do “Abel”. A mais ou menos uns oito meses, no trabalho o “Abel” me contou que o contador iria ser transferido e veio para o lugar dele um outro senhor. Desde que esse outro funcionário chegou o “Abel” passou a trabalhar muito mais e além dele ficar até tarde no serviço ainda tem trazido muito trabalho para casa. Esse fato tem mexido muito com o nosso relacionamento, pois o “Abel” não tem mais tempo para brincar com os nossos filhos que ainda são crianças. Até nos finais de semana que nós tirávamos para passear isso não existe mais, o “Abel” alega que está ajudando o novo contador e eles estão com muito serviço o que é bom para a firma. Eu, praticamente não tenho mais marido, pois, o “Abel” só anda cansado e quando bate na cama dorme na hora. Meus filhos não tem mais pai, nos finais de semana a nossa mesa da sala onde nós fazíamos as nossas refeições e conversávamos, agora anda entulhada de papéis e eu junto com os meus filhos nos ajeitamos mesmo é na cozinha.

   Eu tento esclarecer para as crianças que o pai deles está fazendo de tudo por nós e que ter um emprego hoje é muito importante. Mas, sabe como são as crianças, elas sentem falta de ficar com o pai, de ter a atenção dele e passear conforme fazíamos. Enfim…, ficou tudo comigo e eu não estou conseguindo manter a casa, as crianças e dar conta também do meu trabalho sozinha. Muitas vezes eu estou fazendo alguma encomenda e tenho que parar para ajudar as crianças no dever de casa, coisa que o “Abel” fazia depois que jantávamos, ele se sentava e conferia a lição de cada um dos nossos filhos. Eu sei que é necessário manter o emprego hoje em dia, mas eu queria que o “Abel” também se lembrasse que temos uma família e que o salário dele não aumentou. Eu conversei no pouco tempo que ficamos juntos e ele me disse para eu ter paciência, mas já se passaram 08 meses e eu estou dando conta de tudo sozinha e estou me sentindo muito cansada.

   Casamento é divisão e a única pessoa que tem de lidar com tudo aqui é só eu. Eu fui falar com a minha mãe e ela me aconselhou ser mais tolerante e que o “Abel” sempre foi um bom pai e um excelente marido. Nós tínhamos guardado uma quantia em dinheiro para viajarmos, a escola que os meus filhos estudam vai fazer uma pequena reforma e deu uma semana de folga para as crianças e compensariam depois essas aulas. O “Abel” me prometeu que pegaria uma semana também de folga no trabalho para podermos ir todos juntos e agora ele me avisou que não poderá estar conosco e que se eu quiser ir com as crianças por ele tudo bem.

   Nesses doze anos que estamos juntos sempre fomos um casal normal e eu achava que a minha união com o “Abel” iria durar a minha vida inteira, mas agora eu tenho dúvidas e já até pensei em me separar. Minha sogra sabendo de tudo que anda acontecendo veio até a minha casa e disse que eu deveria agradecer por ter um marido tão bom quanto o filho dela é. Que todo o esforço dele é por nós e eu estou sendo extremamente egoísta. Eu não respondi a minha sogra, preferi ficar quieta e quando ela foi embora eu fiquei pensando e acho que ela não tem razão, meu casamento está passando por uma fase muito ruim, eu não estou feliz, meus filhos querem um pai mais presente e sem saber o que fazer nesse momento difícil, eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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