30/11/18 - 16:25

Palavra Amiga / Eva

Boa tarde heleno e família tupi.

   Tenho 38 anos, sou casada, tenho 03 filhos e trabalho como doceira em casa. O meu marido, o “Zeca” tem 42 anos e trabalha como montador de móveis. Até mais ou menos um ano eu trabalhava como auxiliar de serviços gerais num hospital particular, eu acabei ficando desempregada e a nossa situação em casa dia a dia ia piorando. Nossos filhos tem entre 08 e 11 anos de idade, são crianças que muitas vezes não entendem que não podem ter tudo que querem, eu e o meu marido não tínhamos condições devido a nossa situação.

  Quando eu perdi o emprego busquei outras alternativas para levar dinheiro para casa e tive a idéia de fazer salgadinhos, doces e bolos para vender. Investi parte da minha rescisão em alguns cursos e também usei o dinheiro para comprar os produtos que eu precisava e foi assim que eu comecei a minha jornada de doceira. No começo eu confesso que fiquei bem decepcionada, os pedidos eram poucos, tive alguns calotes, pedidos cancelados em cima da hora e eu tinha medo de ter investido o único dinheiro que me restou em algo que não daria nenhum retorno. Em abril desse ano, uma mulher veio até a minha casa e me fez um pedido um tanto quanto inusitado. Ela trabalha com eventos, me fez uma encomenda grande para uma despedida de solteiro.

   Todos os docinhos, salgadinhos e o bolo tinham que ser feitos em formatos eróticos. Tanto a quantidade quanto o dinheiro eram irrecusáveis, mas eu sabia que o “zeca” o meu marido não ia aceitar que eu fizesse isso. Peguei a encomenda, disse para a minha mãe ficar alguns dias com os meus filhos e expliquei a situação para ela que concordou. O “Zeca” estava com muitos trabalhos e saía pela manhã e só voltava à noite. Entreguei a encomenda, ganhei um bom dinheiro e a tal mulher gostando do meu trabalho espalhou para outras pessoas que começaram a fazer pedidos.

  Tudo estava indo bem, eu fazia as massas e quando ia fazer os formatos, eu me trancava na cozinha e depois de tudo embalado a pessoa vinha pegar a encomenda. Só que um dia como dizem: deu ruim, eu já tinha feito um bolo em um formato de um órgão genital, ele já estava embalado e tinha outro bolo normal que era para a festa de aniversário do chefe do “Zeca”. Ele pegou a embalagem, levou para a firma e na hora que o chefe estava presente, eles desembrulharam o pacote para colocar as velinhas e ninguém entendeu nada e o “Zeca” não sabia onde enfiava a cara. Ele não tinha nenhuma explicação para dar, os outros funcionários tentavam misturar recheio e cobertura para tirar o formato original do bolo.

   Na mesma hora o “Zeca” me ligou p da vida e eu disse que depois nós conversaríamos. Eu fiquei tão nervosa que quando estava sozinha em casa fazendo os meus docinhos, esqueci de trancar a porta, a minha sogra entrou e viu o que não deveria. Eu tentei explicar, mas ela disse que a minha casa tinha se tornado um antro de perdição e que eu tenho filhos e deveria ter pensado nisso antes de começar a fazer essa pouca vergonha. Eu falei que quando vou moldar os docinhos ou bolos as crianças nunca estão em casa, jamais eles viram esse tipo de coisa. Nessa hora o “Zeca” tinha voltado do trabalho e a briga foi feia.

   Juntou ele e a minha sogra e o clima ficou péssimo, eu joguei na cara dos dois que tanto os bolos quanto os docinhos estão pagando a maior parte das contas casa, mas não tem jeito, o “Zeca” e a minha sogra dizem que a nossa religião nunca permitiria isso, disseram também que com essa atitude eu estou levando o meu casamento de 12 anos a ruína e isso vai prejudicar os nossos filhos. Eu faço todo tipo de bolo, salgadinhos e docinhos eróticos é para uma clientela certa.

  Nem os meus amigos e vizinhos sabem, somente a minha mãe, ela sempre me deu a maior força e disse que não tem nada demais. O “Zeca” me falou que eu até posso continuar fazendo os meus bolos e doces, mas tem que ser os normais e que ele não vai admitir que eu continue a desmoralizar a família e sem saber o que fazer nesse momento delicado, eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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