12/11/18 - 10:57

Palavra Amiga / Flávia

Boa tarde heleno e família tupi.

    Tenho 34 anos, sou casada, tenho dois filhos gêmeos e sou dona de casa. Meu marido tem 32 anos e trabalha como sócio em uma casa lotérica com um dos irmãos dele. Quando eu conheci o “augusto” ele estava passando por uma fase muito ruim, tinha terminado o noivado e na mesma semana ele foi demitido. Eu também passava por alguns problemas e resolvi deixar o que estava acontecendo comigo de lado e tentei ajudar o “augusto”. Apesar dele ser um homem muito bonito e atraente, a minha intenção naquela época era vê-lo feliz, pois além de triste ele estava muito desmotivado e sem esperanças de que algo bom acontecesse na vida dele. Nos tornamos grandes amigos e depois de quase um ano de convivência, o “augusto” já era outra pessoa, estava trabalhando, namorava uma moça e fomos com outros amigos viajar e todos nós queríamos nos divertir.

   O “augusto” não foi com a namorada, ela iria fazer uma prova, preferiu ficar em casa estudando ele parecia não se importar e eu entendi que ele apenas namorava essa moça para não ficar sozinho. À noite estávamos todos na praia, bebendo, rindo e do nada nos beijamos. No dia seguinte ficamos meio que sem graça um com o outro e ele me falou que tinha gostado do que aconteceu. Depois desse dia o “augusto” terminou o namoro com a tal moça e nós viramos aquele casal que não se desgrudava. Em poucos meses nós nos casamos, pensávamos seriamente em ter a nossa família e ser feliz. Eu tinha um apartamento que pertenceu a minha mãe e para lá fomos morar depois de casados, logo, no mês seguinte eu descobri que estava grávida e eram gêmeos. Com o passar dos meses nós fomos percebendo a dificuldade que eu estava enfrentando no trabalho e foi aí que decidi pedir demissão e me dedicar somente a minha nova família. Meus filhos nasceram nós éramos o casal mais feliz do mundo e com o passar dos anos eu fui percebendo que um dos meus filhos não se desenvolvia tão bem quanto o outro e que ele tinha algum problema.

   Algumas pessoas da família e amigos até falavam que isso era normal, que apesar de serem gêmeos nada os obrigava a terem o mesmo desempenho. Mas, mãe tem mesmo um sexto sentido e lá no fundo eu sabia que tinha algo errado com um dos meus filhos. Mesmo sabendo que o teste do pezinho não revelou nada de errado com os meus bebês. Outros exames foram feitos e o médico nos contou que ele tem autismo leve, que ele é uma criança especial e que provavelmente houve um erro no teste do pezinho quando ele nasceu. Esse fato foi devastador nas nossas vidas e o pior de tudo foi perceber que tanto o “augusto” quanto a família dele iam se afastando do meu filho. Eles só levavam para passear e davam atenção ao meu outro filho que eles consideravam normal e perfeito. Esse comportamento do “augusto” e da família dele, me deixavam muito decepcionada e triste.

   Eu não aceitava o fato deles deixarem tão evidente essa preferência, isso começou a afetar o meu casamento e também o meu relacionamento com ele e com a família dele. Eu não aceito que o meu filho seja rejeitado principalmente pelo pai e conversei com o “augusto” e venho percebendo que ele continua da mesma forma. Ele tenta se aproximar do meu filho, mas lá no fundo eu noto o esforço que ele faz, o que seria um comportamento natural de pai para filho, vira uma coisa muito forçada da parte dele e isso está acabando comigo. Apesar de amar o meu marido, eu já não olho para ele com o mesmo amor e carinho de antes, não reconheço no “augusto” o homem com quem me casei. Eu levei o “augusto” junto comigo para uma consulta com um médico especialista que nos explicou como deveríamos agir e durante essa consulta eu notei que o “augusto” parecia distante, que não estava ali e o termo mais correto é que ele estava pouco ligando para que o que deveríamos fazer.

    Eu cheguei a pensar que talvez o “augusto” precise de um acompanhamento psicológico para poder conseguir lidar melhor com essa situação, mas ele não demonstrou interesse algum em se consultar com um profissional. Hoje os nossos meninos estão com 04 anos de idade e completamos 05 anos de um casamento que dia após dia vai se deteriorando. Apesar de tudo, eu ainda amo o meu marido e sei que ele tem o mesmo sentimento por mim. Não consigo encontrar formas e maneiras de fazer com o que o meu marido aceite o que aconteceu conosco. Quanto a minha família eu tenho todo o apoio do meu pai, dos meus irmãos, enfim…, todos me ajudam, mas em relação ao meu próprio marido e a família dele, não é a mesma coisa, eles separam os meninos e demonstram a sua preferência. Nossos amigos não entendem o comportamento do “augusto” e me dizem que talvez o divórcio seria a melhor solução, pois, se o “augusto” se recusa a aceitar o filho especial e não concorda que um profissional nos ajude, fica difícil e sem saber o que fazer nesse momento muito delicado, eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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