15/11/18 - 14:05

Palavra Amiga / Flora

Boa tarde heleno e família tupi.

Tenho 40 anos, sou divorciada, tenho um casal de filhos e trabalho como sub gerente em uma loja. Tem coisas que acontecem na vida da gente que por mais que pareça um absurdo é verdade. Hoje, eu vivo um problema muito sério na minha vida e acredito que a palavra amiga possa me ajudar. Com vinte anos de idade eu fiquei noiva do “Pedro”, a gente já namorava há mais ou menos uns 10 meses quando ele achou que já era hora de assumirmos um compromisso mais sério e com o aval dos meus pais nós oficializamos o nosso noivado. Dois anos depois nós nos casamos e durante alguns anos eu tinha a impressão de estar vivendo num verdadeiro conto de fadas, a minha vida era boa e se tornou perfeita com o nascimento dos nossos filhos. Naquela época eu não trabalhava fora, o “Pedro” era gerente de banco e ganhava muito bem.

Quando completamos dez anos de casados eu fui junto com o “Pedro” jantar fora para comemorar essa data e por acaso reencontrei uma velha amiga, ela tinha a mesma idade que eu e estava fora do país estudando e fazendo alguns cursos. Fiquei muito feliz, pois, era uma pessoa que fez parte da minha vida durante muitos anos desde a minha infância. Esse reencontro trouxe ótimas recordações, eu passei o meu endereço e todos os nossos contatos para ela. Toda a semana essa amiga, a “Elza” ia lá para casa jantava conosco e algumas vezes ela vinha acompanhada de algum namorado, ela não teve filhos e esse era um dos motivos para ela ter se divorciado do marido. A “Elza” nunca gostou muito de trabalhar e vivia da renda dos imóveis que os pais tinham deixado para ela.

Apesar de termos a mesma idade a “Elza” sempre foi muito bonita, ela usava o dinheiro que tinha para cada vez mais se cuidar e nunca aparentava a sua verdadeira idade, ela chamava atenção por onde passava. A minha vida desandou totalmente quando um dia a “Elza” depois de jantar lá em casa não se sentia bem e eu e o “Pedro” achamos melhor que ela ficasse aquela noite conosco. Eu passei as crianças para o nosso quarto para poder acomodá-la e no dia seguinte a “Elza” não dava sinais de que tinha melhorado e ela se recusava a ir para o médico. Sendo assim, ela ainda ficou mais um dia conosco e de madrugada eu percebi que o “Pedro” não estava mais na nossa cama e fui ver se tinha acontecido alguma coisa. Naquele momento que entrei no quarto que ela ocupava vi o meu marido beijando a minha melhor amiga.

O choque foi tão grande que eu não tive reação, eles perceberam a minha presença e tentavam explicar o que não tinha explicação alguma. Para não acordar as crianças eu pedi que os dois saíssem naquela hora da minha casa e assim aconteceu o meu divórcio. O “Pedro” pegava as crianças em alguns finais de semana, pagava a pensão e eu fui procurar emprego. Trabalhei de vendedora por alguns anos e depois passei a sub gerente. Estou há quase seis anos divorciada, eu ainda não consegui refazer a minha vida amorosa e nunca mais tive nenhuma conversa com o “Pedro” meu ex marido, só falo um bom dia ou uma boa tarde e mais nada. Depois que nos separamos, o “Pedro” ficou morando com a “Elza” e no começo desse ano ela faleceu.

Recentemente eu fui procurada por um advogado e ele me disse que a “Elza” antes de falecer fez um testamento e deixou um apartamento de presente. Eu fiquei de pensar de aceitaria ou não esse imóvel, minha irmã falou que mais parece mais um pedido de desculpas e que eu tinha mais era que aceitar sim, mas eu penso diferente e tenho a impressão de que concordando em receber esse apartamento eu concordei com tudo que ela fez e não é bem assim que eu penso, não foi pelo fato dela ter morrido que a minha mágoa diminuiu, nem tão pouco a decepção que ela e o “Pedro” me causaram. Hoje estou nesse impasse e sem saber o que fazer nesse momento muito delicado, eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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