04/09/18 - 16:25

Palavra Amiga / Gabriela

   Boa tarde heleno e família tupi. Eu tenho 37 anos, sou casada, tenho um casal de filhos e trabalho fazendo cestas de café da manhã. Meu marido tem 41 anos e trabalha em uma empresa como sub gerente. Eu estou passando por uma situação difícil, sou ouvinte do seu programa já há muitos anos e tenho esperanças que a família tupi possa me atender com uma palavra amiga. Aos 17 anos de idade eu me entreguei ao meu único amor da minha vida, o “Davi”. Quando a minha mãe viu uma cartela de anticoncepcional escondida, ela logo contou para o meu pai e foi o maior escândalo na família.

   Sendo assim só restou mesmo o casamento para nós dois, a gente se amava e não foi nenhum sacrifício nós nos casarmos. Meu amigo a vida nunca foi fácil para nós dois, eu trabalhava numa padaria e o “Davi” era entregador em um mercado aqui perto de casa e nós morávamos numa pequena casa que alugamos. O “Davi” me dizia diariamente para eu ter paciência, que tudo iria melhorar na nossa vida quando ele se formasse, que ele ia me dar a boa vida que eu sempre sonhei. Eu não reclamava de nada, eu remendava as minhas roupas e a do “Davi” também, eu trazia as sobras da padaria e economizava ao máximo para que as nossas despesas não aumentassem.

   Assim vivemos por alguns anos e quando finalmente o “Davi” se formou ele não conseguia o emprego que tanto queria e acabou aceitando qualquer coisa que aparecia, ele ficou muito frustrado, mas na verdade a nossa vida não mudava e depois vieram os nossos filhos. Eu já não trabalhava mais na padaria e fazia alguns serviços extras para ajudar nas contas da casa. O “Davi” já não era mais aquele marido presente, atencioso e amoroso.  Um dia eu tive a ideia de fazer cestas de café da manhã com uma amiga que é a minha vizinha. Nós começamos a receber algumas encomendas e juntamos as nossas economias para dar início ao nosso negócio.

   Nessa época o meu marido foi chamado para ocupar um cargo de subgerente e a vida estava começando a melhorar. Há cerca de uns seis meses o meu filho começou a passar mal, só que o plano de saúde da empresa não dava direito aos beneficiários de usarem e nós tivemos que fazer um empréstimo para cuidarmos da saúde do nosso menino. Eu nunca pedi nada a minha família, tanto eles quanto os parentes do meu marido vivem com o dinheiro contado. Tem uns dois meses eu fui até a empresa que o meu marido trabalha levar uma cesta para uma funcionária que estava aniversariando e lá conheci diversos colegas de trabalho do “davi” entre eles estava o presidente que logo veio falar comigo e elogiou muito a cesta que eu levei.

   Ele pegou o meu telefone e no dia seguinte encomendou várias cestas para homenagear alguns amigos e parentes. Fiz tudo no capricho como sempre, entreguei e mais tarde, naquele mesmo dia ele me ligou agradecendo e disse que passou o meu telefone para muita gente. Eu fiquei muito agradecida, foi uma ajuda que chegou na hora certa. Depois de alguns dias esse diretor me ligou novamente, pediu outra cesta, quando eu cheguei ao endereço para fazer a entrega ele veio ao meu encontro e disse que a cesta era para ele. Me convidou para entrar e eu fiquei um pouco desconfiada tentei dar uma desculpa, mas ele insistiu, bebemos um café juntos e ficamos conversando.

   Desse dia para cá ele me liga quase todos os dias e quer se encontrar comigo, muitas vezes quando ele encomenda cestas eu peço para a minha amiga levar para eu não ter que esbarrar com esse homem. Tem mais ou menos umas três semanas eu estava em casa, quando fui atender a porta era ele, disse que precisava falar comigo, entrou e começou a dizer que não conseguia me esquecer, que ele apesar dos seus 60 anos, é viúvo, tem uma filha que mora fora do país e ele se sentia muito sozinho e quando me conheceu despertou nele um sentimento de amor que ele não consegue controlar. Ele falou que sabia da nossa situação e que até ia dar um aumento de salário para o meu marido.

   Eu agradeci e disse que estávamos precisando muito e foi aí que ele me convidou para ser uma espécie de governanta na casa dele e eu disse que não tenho experiência nenhuma e diante de tudo que ele me falou eu não poderia aceitar esse emprego. Ele tenta me convencer dizendo que a situação da minha família pode melhorar bastante e que eu não precisaria trabalhar tanto. Eu tenho medo de não aceitar essa proposta e acabar prejudicando o meu marido. Penso também que se eu aceitar esse trabalho provavelmente eu teria um caso com esse homem. Pela primeira vez na minha vida eu estou tendo uma oportunidade de ter uma vida boa e transferir isso para a minha família, mas o fato de trair o meu marido é um preço muito alto que eu terei que pagar.

   Às vezes eu penso mesmo em aceitar e dar uma vida melhor para a minha família, eu tenho pedido perdão diariamente por ter esse pensamento, mas estou com medo que diante da minha recusa o meu marido venha perder o emprego e sem saber o que fazer nesse momento difícil que eu estou vivendo eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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