14/11/18 - 14:00

Palavra Amiga / Iara

Boa tarde heleno e família tupi.

   Tenho 37 anos, sou casada, tenho uma filha de 14 anos de idade e trabalho em uma empresa como assistente de cobrança. Meu marido, o “Davi”, tem 38 anos e é professor. Estamos casados há 15 anos e o que eu julgava ser uma união perfeita e com a promessa de chegarmos a pelo menos as bodas de prata, que são os 25 anos de casamento, provavelmente não irá se realizar. Com o salário do “Davi” eu sempre tive que trabalhar a minha sorte é que eu tenho pais presentes que tomavam conta da nossa filha para juntos eu e o “Davi” batalharmos para vivermos de forma normal que é; com as contas pagas e de vez em quando poder também fazermos pequenas viagens de férias.

   Na verdade, a gente não consegue juntar dinheiro, sempre aparece uma despesa inesperada e o “Davi” vive fazendo hora extra para tentar repor o que gastamos e para quem vive pagando aluguel vira uma despesa eterna. Eu trabalho nessa empresa há 10 anos e sou uma funcionária muito querida por todos e apesar de trabalhar meio expediente o meu salário é maior do que o meu marido, mas o “Davi” não se incomodava com esse fato e até brincava dizendo para os nossos amigos que estava sendo bancado pela esposa, o que não é verdade. A minha chefe é uma senhora que em alguns meses vai se aposentar e disse que agora ela e o marido, já criaram os filhos e com a aposentadoria dos dois, eles só pensam em curtir a vida e nada de trabalho.

   Ela veio conversar comigo em outubro e me disse que gostaria de me indicar para o lugar dela, só que ao mencionar isso para os diretores, eles falaram com ela que a empresa já tem uma pessoa que vai ocupar a função que ela ainda exerce até se aposentar, mas que se eu aceitar ir para são Paulo por eles tudo bem. Eles estão finalizando uma matriz em são Paulo e eu ocuparia um cargo de chefia, meu salário e os benefícios seriam muito melhores e eu fiquei feliz e ansiosa para contar essa novidade para o “Davi”. Em casa eu falei com o “Davi” e disse o quanto isso iria melhorar a nossa vida, que nós poderíamos até comprar no futuro uma casa e sair do aluguel e na cidade que eu vou ficar mora a minha tia que é irmã da minha mãe, ela não iria se opor que eu ficasse na casa dela e nos finais de semana eu volto para a minha família.

   Você não imagina a reação do “Davi”, ele quase teve um troço, disse que se não bastasse o fato dele ser praticamente sustentado por mim ainda teria que aturar eu sendo promovida, morando distante da família e sabe lá fazendo o que com quem. Minha filha tentava acalmá-lo e ela com apenas 14 anos de idade entendeu de forma clara a necessidade de termos uma vida melhor. Nessa hora eu dei o assunto por encerrado, percebi que se continuássemos tudo ia acabar em briga. Durante a semana o “Davi” me chamou e falou que ele ia trocar de carro e além de dar aulas também iria trabalhar como motorista de aplicativo. Eu não concordei, não existe motivo para ser fazer mais dívidas se eu posso trabalhar em outro estado.

   Qual é problema dele continuar sendo professor, cuidar da nossa filha e da nossa casa?. Conclusão: mais brigas e discussões que não levam a nada, a gente passa um pelo outro dentro de casa e nem nos olhamos, o “Davi” tem dormido no sofá todas as noites e eu não consigo fazer com que ele mude de idéia para que aceite algo que será bom para todos nós. Até os meus pais falaram com ele, se dispuseram a nos ajudar, mas ele cismou que essa promoção está muito estranha e que talvez eu esteja fazendo alguma coisa de errado. Essa tem sido a minha vida nessas últimas semanas, escuto acusações infundadas, vivo com um homem que não aceita ganhar menos que eu e tudo isso vem mexendo muito comigo. Estou achando o “Davi” extremamente egoísta e me tirando uma oportunidade rara, que poucas pessoas tem. Minha filha disse que vai sentir muito a minha falta, mas conseguiu enxergar o que o “Davi” faz questão de não ver e com isso vem dificultando a nossa vida.

   Ele me falou que se eu aceitar, ele vai pedir o divórcio e aí eu poderei fazer o que bem quiser e entender da minha vida. Eu amo o “Davi” e sei o quanto é importante manter a nossa união, mas eu também não quero perder essa oportunidade, em janeiro de 2019 eu quero estar em são Paulo, ocupando um cargo de chefia e saber que tudo aqui em casa estará bem. Nas próximas semanas eu preciso dar uma resposta para a minha chefe e eu estou pesando bastante a minha pessoal e profissional e sem saber o que fazer nesse momento muito delicado, eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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