04/12/18 - 12:13

Palavra Amiga / Lizette

Boa tarde heleno e família tupi.

   Tenho 46 anos, sou casada e trabalho como empregada doméstica. Eu sempre tive dificuldade de encontrar bons patrões, normalmente eles me tratavam mal, ou quando eu era bem tratada eles atrasavam os pagamentos. Foram tempos difíceis para mim e para minha família, já que meu marido é pedreiro e não era sempre que o chamavam para fazer uma obra. Enfrentamos dificuldades, nunca faltou comida, mas algumas contas de casa ficaram sem pagamento.

   Já haviam cortado nossa luz, água e telefone. Então eu fui passando de casa em casa até conseguir um ambiente tranquilo na casa dos meus atuais patrões. A minha patroa se chama “Rita”, ela é casada com meu outro patrão “Jorge” e os dois tem um filho juntos chamado “Carlinhos”. A “Rita” sempre foi muito gentil comigo, eu não tenho que fazer muito esforço porque metade das tarefas de casa, como lavar a louça e a roupa ela já faz, além de também trabalhar fora. Mesmo assim eu recebo o dobro do que eu receberia em outras casas e sempre tenho como voltar para casa a tempo de ver meu marido. Normalmente um trabalho desses também dificulta com uma criança bagunçando tudo, mas o “Carlinhos” é muito bem criado pelos pais, nunca foi mimado e tudo que ele espalha na casa, a patroa “Rita” faz questão que ele limpe e quarde.

   Tenho não só pago as contas de casa, mas minha vida tem melhorado, posso comprar o que eu quero, tenho me vestido melhor e comprado móveis novos para minha casa, pois os antigos já estavam desgastados. Esse é o emprego dos sonhos, até duas semanas atrás. Heleno, queria poder “desver” o que presenciei. A patroa “Rita” tinha ido trabalhar e o “Carlinhos” foi jogar bola com os amigos. Eu saí para fazer algumas compras para casa, mas voltei rápido. O patrão “Jorge” estava em casa, mas não notou que eu também tinha chegado. Ouvi alguns gemidos, mas fiquei tranquila, porque pensei que a patroa “Rita” já tinha voltado do trabalho.

   Mas quando eu estava colocando as compras na geladeira percebi que uma mulher, que eu nunca tinha visto na vida estava na cozinha bebendo água. Eu me escondi na porta da geladeira vendo ela bebendo água no filtro. Esperei até ela sair, depois de uns quinze minutos, fingi que estava chegando em casa só naquela hora e o patrão “Jorge” me tratou normalmente, pensando que eu não soubesse dessa traição. Heleno, agora estou enfrentando um conflito muito grande, porque meu patrão traiu minha patroa e não sei se conto para ela, se quardo segredo ou simplesmente peço minhas contas e saio dessa casa.

   Conversei com meu marido e ele acha melhor eu quardar segredo, porque esse trabalho paga a maior parte das contas e é capaz que se eu revelar essa traição poder ser mandada embora. Mas a “Rita” sempre me tratou tão bem e me sentiria traindo a confiança dela se não contasse algo tão grave. E se alguma hora ela descobrir tudo e souber que eu sei de tudo e não disse nada? Aí mesmo que serei mandada embora. Eu penso também no “Carlinhos”, esse menino ainda tem a infância inteira pela frente e logo agora pode ver os pais se separando ou tendo brigas intermináveis. Pensei então que a melhor estratégia seria conversar com o patrão “Jorge” e pedir para ele parar com isso ou para ele conversar abertamente com a esposa. Acho que é a melhor decisão, mas pode dar tudo errado e como dizem “o tiro sair pela culatra” e sem saber o que fazer eu preciso muito de uma “Palavra Amiga”.

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