02/11/18 - 16:20

Palavra Amiga / Maria

   Bom dia heleno e família tupi. Tenho 50 anos, sou viúva, tenho um casal de filhos e trabalho como empregada doméstica. Meus filhos são casados e cada um deles já formou a sua família e moramos no mesmo bairro. Depois que eu fiquei viúva, comecei a me sentir muito sozinha, antes eu chegava em casa e o meu marido estava me esperando para saber como tinha sido o meu dia e eu adorava ouvir ele dizer o que tinha feito no trabalho e as coisas que tinham acontecido. Ele chegava bem mais cedo que eu e preparava com muito carinho o nosso jantar. Éramos um casal muito unido e quando ele faleceu eu me sentia meio perdida e por muitas vezes desejei estar com ele, pois, era muito difícil viver sem o meu companheiro de tantos anos.

    Meus filhos passaram a frequentar mais a minha casa, mas eles tinham a vida deles e eu não queria ser um incomodo para ninguém. A minha patroa é muito minha amiga, ela é o marido são pessoas bacanas que me consideram e me tratam como se eu fizesse parte da família deles.  Eles me aconselharam a algumas vezes por semana para que eu não ficasse sozinha na minha casa a dormir lá na casa deles, mas não era para eu fazer nenhum trabalho, somente para que eu não ficasse sozinha em casa. Gostei da idéia e quando a saudade do meu marido apertava o meu peito eu ficava na casa dos meus patrões. Lá a gente conversa, lavamos a louça juntos e eu me sinto em casa mesmo.

   Eles tem um único filho que hoje está com 17 anos de idade e eu praticamente criei esse menino, tanto que quando ele faz alguma coisa errada eu chamo a atenção dele e esse menino me obedece, isso com a aprovação dos meus patrões. Eu já estou nessa casa há 18 anos, sou muito feliz na casa que trabalho e não posso reclamar de nada. Em setembro aconteceu um fato muito desagradável e isso me tirou o chão. Eu estava arrumando algumas gavetas da cômoda do quarto do filho dos meus patrões e quando cheguei numa determinada gaveta ali estava um embrulho escondido num cantinho e exalava um cheiro forte, eu abri e vi que se tratava de uma pequena quantidade de drogas. Na hora eu fiquei muito nervosa, peguei o que achei, joguei no vaso e dei descarga.

   Quando esse menino chegou eu chamei ele para conversar e falei da minha descoberta e o que eu tinha feito. Ele me contou que não era dele, que foi um amigo que tinha pedido para ele guardar, eu disse que amigo não pede esse tipo de coisa e que eu iria falar com os pais dele. Na mesma hora ele me pediu que não contasse nada e que isso jamais aconteceria novamente. Os pais dele trabalham o dia inteiro e só chegam à noite. Eu concordei e eu prometi ficar quieta, mas isso voltou a acontecer, no mês passado esse menino chegou em casa e pensou que eu já tinha ido embora, eu etsava no quintal estendendo algumas roupas e sentia um cheiro forte e desagradável.

   Quando entrei em casa o cheiro aumentou e fui direto para o quarto dele que quando me viu ficou sem graça e disse que não era o que eu estava pensando. Eu falei na mesma hora que a confiança foi quebrada e algo deveria ser feito, ele ficou o tempo todo atrás de mim, me pediu sigilo, sabe que está errado e não ia fazer isso outra vez. Eu não prometi nada e estava com vontade de conversar com os meus patrões e dizer o que descobri.  Por outro lado, conversando com os meus filhos, eles me aconselharam a eu não me meter nessa história, que isso pode me causar algum tipo de problema no trabalho. Eu penso um pouco diferente e sabendo que esse menino pode continuar em um caminho ruim e não falar nada, seria desleal com os meus patrões, que são pessoas que me tratam muito bem e confiam em mim.

   Eu acho que os pais dele tem que saber o que onde o filho está se metendo e omitir esse fato está me incomodando muito. Eu adoro a rádio tupi e escuto diariamente a palavra amiga e sinto que a família tupi é a minha família também. Nesse momento de muita indecisão e sem saber o que fazer, eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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