06/09/18 - 16:25

Palavra Amiga / Marli

Boa tarde heleno e família tupi.

   Eu tenho 52 anos, sou divorciada, tenho uma filha e sou aposentada. Todos os dias, na parte da manhã eu faço um trabalho voluntário e lá todos nós ficamos sintonizados na rádio tupi e quando eu chego em casa continuo ouvindo toda a programação e gosto muito da palavra amiga. Antes do quadro começar eu preparo aquele cafezinho e todos os dias vou acompanhando as histórias da palavra amiga. Eu queria muito ter enviado esse e-mail a mais tempo, mas faltou coragem de expor tantas coisas na minha vida, só que agora eu não tenho mais a quem recorrer e peço ajuda aos amigos da família tupi.

   Eu fui casada por mais de quinze anos, era um casamento difícil, que não me trazia alegrias, meu marido bebia muito, por várias vezes tentava me agredir e só tínhamos mesmo em comum a nossa filha que era o único elo que ainda nos unia. Eu trabalhava fora e já tinha mesmo a intenção de me separar do meu marido quando conheci um homem e por ele me apaixonei. Esse homem me dava tudo que eu não tinha mais em casa, a gente tinha até planos de um dia vivermos juntos e eu estava feliz. Um dia fomos a um motel e quando estávamos indo embora meu marido estava na porta junto com outras pessoas da família dele me esperando, ele fez o maior escândalo, eu não sabia onde enfiava a minha cara e o meu amante tentava em vão acalmar todos que me xingavam.

   Foi o pior momento da minha vida, principalmente quando vi a minha filha que na época tinha 14 anos de idade dentro do carro do meu marido assistindo a tudo e chorando. Naquele mesmo dia, o meu marido foi embora de casa e levou com ele a nossa filha. Eu só saía de casa de cabeça baixa para ir trabalhar, eu achava que todos na rua sabiam o que eu tinha feito de errado e nem tive coragem de questionar o fato do meu ex marido ter ficado com a nossa filha, embora soubesse que ela não queria ficar comigo. Depois de alguns meses, eu já estava me recompondo de tudo que tinha acontecido e tentei me reaproximar da minha filha, mas ela se recusava a me receber.

   Um dia eu fui até a escola esperar que a aula dela terminasse e talvez eu pudesse me explicar. Mas quando ela me viu, disse que não era para eu procurá-la, pois ela tinha vergonha do que eu tinha feito com o pai dela e se o casamento deles não deu certo a culpa foi totalmente minha que me comportei como uma vadia. Eu não tentei mais me defender, eu achava que o tempo iria consertar as coisas. Quanto ao meu amante, eu não quis mais ficar com ele, apesar dele ser uma boa pessoa, eu só queria mesmo era ficar sozinha e tentar organizar a minha vida.

   Dez anos se passaram, eu sabia por onde a minha filha andava e todas as vezes que eu passava por ela e tentava falar com ela, a minha filha, além de nem olhar para a minha cara ela nem respondia. No final de julho, eu estava em casa, alguém bateu a minha porta e quando eu abri era a minha filha. Ela ainda continuava com aquele olhar de reprovação, pediu para entrar e disse que precisava muito conversar comigo. Ela me disse que o pai dela tinha se casado novamente, não bebia mais e vivia muito bem com a atual esposa. Me contou um pouco da sua vida, falou que estava cursando a faculdade e queria muito realizar um sonho e precisava da minha ajuda.

   Ela quer que eu venda o meu único apartamento que me foi deixado pelos meus pais e lhe entregasse o dinheiro para ela ir para fora do Brasil continuar os estudos dela por lá. Antes mesmo de dar qualquer resposta, ela jogou na minha cara que meses dez anos que se manteve afastada, ela nunca me pediu nada e que agora ela precisa de ajuda para realizar o sonho da vida dela. Eu falei com a minha filha que esse era o único imóvel que eu tenho e ela falou que eu poderia alugar uma kitinete para morar. Eu tive a impressão que a minha filha não pedia, ela usava um tom de exigência como se eu devesse isso para ela depois de tudo que aconteceu.

   Eu fiquei de dar uma resposta e ela foi embora da mesma forma fria que entrou na minha casa. Eu conversei com a minha comadre, ela é a única amiga que tenho e me aconselhou a negar o pedido da minha filha, mas disse que essa decisão só cabe a mim e lá na frente se eu decidir mesmo vender o meu apartamento ela terá sempre um quarto na casa dela à minha disposição. Mas, para eu me preparar que a minha filha não vai se reaproximar mesmo que eu me desfaça do único bem que eu possuo. Que ela só está me fazendo esse pedido por pura falta de opções, que ela me culpa pelo fim do casamento e pela vergonha que eu a fiz passar. Minha filha tem me ligado quase todos os dias e no final das nossas conversas ela sempre me pergunta se eu já tomei uma decisão e sem saber o que fazer nesse momento difícil que eu estou vivendo eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma

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