29/11/18 - 11:11

Palavra Amiga / Paula

Boa tarde heleno e família tupi.

   Tenho 30 anos, sou casada, tenho um casal de filhos e trabalho como chefe de produção. Meu marido, o “lopes” tem 32 anos e trabalha como carteiro. Nosso filho mais velho tem 05 anos e a nossa caçula está com 03 anos de idade. O meu casamento nunca foi algo bem visto pela minha família, eles achavam que pelo fato de eu ter frequentado uma faculdade e ter me formado eu merecia um marido do mesmo nível que eu. Embora eu tenha consciência que os meus pais sempre quiseram o melhor para a minha vida, eu decidi seguir o meu coração e há seis anos estou casada com o “lopes”. O trabalho do meu marido não paga todas as nossas despesas que nós temos, mas isso nunca foi um problema e somos um casal que dividimos tudo.

   O que me levou a escrever para o quadro palavra amiga é um problema que sempre esteve nas nossas vidas desde a época em que namorávamos. O “lopes” se veste de forma ridícula e pelo cargo que ocupo na empresa em que trabalho, muitas vezes ele vira motivos de muitas piadas e isso me incomoda bastante. Quando eu conheci o “lopes” era carnaval e eu pensei que ele estivesse fantasiado, com o passar dos dias, ele continuava a se vestir de forma engraçada e eu achando que era por causa ainda do carnaval. Marcamos de sair para jantarmos e quando o “lopes” chegou lá em casa para me buscar eu fiquei espantada, ele estava vestindo uma calça listrada, com uma camisa tipo social de bolinhas, uma pochete na cintura, vários cordões no pescoço, um anel em cada dedo e para fechar com chave de ouro e aumentar a vergonha que eu já estava sentindo, ele ainda calçava uma bota tipo mata barata no canto.

   Eu comecei a fingir que me sentia mal e quando os meus pais olharam para o “lopes” começaram a rir sem parar, ele parecia não entender e decidimos ficar em casa. Chamei os meus pai num canto e disse que o “lopes” é uma boa pessoa mas se veste de forma diferente. Nós começamos a namorar e os meus amigos não perdoavam o fato do “lopes” se vestir igual um palhaço e eu fui sendo durante muito tempo motivo de várias encarnações. No dia do nosso casamento eu estava mais nervosa em saber como o “lopes” iria aparecer do que com o meu próprio casamento. Ele comprou um terno meio lilás, meio roxo eu nem sei que cor era aquilo e foi lamentável. Até hoje eu guardo a sete chaves o nosso albúm de casamento e não monstro a ninguém.

   Eu achei que me casando com o “lopes”, com o tempo eu ia conseguir mudar o gosto dele em se vestir e tento diariamente superar esse problema e só me sinto melhor quando o “lopes” está com o uniforme de carteiro  e mesmo assim ele ainda tenta colocar alguns acessórios que pioram muito a sua aparência. Na casa dos meus sogros a coisa não é muito diferente, a minha sogra pega diversos galhos que acha pela rua e enfeita a casa com o apoio do meu sogro. Certa vez, eles tiveram que passar algumas semanas na minha casa e mudaram as coisas de lugar, trouxeram vários enfeites horrorosos e quando eles vão me visitar para não magoá-los eu coloco tudo conforme eles deixaram.

   O “lopes” também se mete na decoração da nossa casa e tem sido complicado, ele pinta a casa com cores estranhas, coloca quadros feios que não combinam com nada. Eu ando percebendo que o meu filho de 05 anos já está começando a seguir os passos do pai e embarcando no mesmo mau gosto dele. O “lopes” não satisfeito em se vestir de forma estranha, mas parecendo o personagem “agostinho” da grande família, ainda tem a capacidade de me presentear com roupas de gosto bem duvidoso e fica chateado quando me recuso a usar, vestido de palhaço já basta ele né?.

  Confesso que pelo cargo que ocupo na empresa que trabalho muitas vezes eu não levo o “lopes” comigo para algum evento, fico com vergonha, já tentei conversar com ele e até comprei algumas roupas novas para ele usar, mas não tem jeito, o “lopes” não usa o que deveria e se veste como um brega causando olhares e risos por onde passa. Eu amo o meu marido, ele é um bom homem, um ótimo pai, estamos casados há sete anos e eu gostaria muito de uma orientação, pois, sem saber o que fazer nesse momento delicado, eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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