29/11/18 - 15:40

Palavra Amiga / Penha

Boa tarde heleno e família tupi.

   Tenho 51 anos, sou viúva, tenho 04 filhos, todos são casados e eu trabalho como copeira numa empresa. Até pouca semanas eu estava namorando o “Odair”, ele tem 54 anos, é viúvo, tem uma filha e trabalha como jornaleiro. Apesar de morar sozinha e eu sempre tive a presença dos meus filhos na minha casa, eles fazem questão de todos os finais de semana estarem comigo. Lá em casa fazemos as refeições juntos e colocamos também a conversa em dia. No passado eu fui casada por 16 anos o meu ex marido era um homem rude, de poucas palavras e por vezes se incomodava em ter que gastar todo o salário que ganhava para sustentar a família.

   Ele não aceitava que eu trabalhasse fora e com quatro filhos ele dizia que o melhor seria mesmo eu ficar em casa. No começo do nosso casamento tudo parecia estar bem, mas com o nascimento dos nossos filhos, meu marido começou a beber e ao longo dos anos perdeu o controle, virou um alcoólatra e chegava todos os dias com uma garrafa de cachaça debaixo do braço. Se eu reclamasse ou apenas ficasse quieta apanhava da mesma forma e muitas noites eu pegava os meus filhos e ia dormir na casa de uma vizinha que era uma grande amiga. A medida que os meus filhos iam crescendo, eles começaram a enfrentar o pai e eu achei muito perigoso continuarmos todos vivendo na mesma casa.

   Um dia, depois dele beber muito, eu já estava dormindo quando esse homem tentou me violentar e com a minha recusa ele me bateu, meus filhos acordaram e naquele dia nós pegamos somente o necessário e fomos embora. A minha vizinha me deu o endereço de uma casa que era da irmã dela e esse imóvel estava para alugar. Nós ficamos morando em um local que não tinha nada, mas aos poucos com a ajuda de alguns amigos eu arrumei um emprego, meus filhos também trabalhavam e aos poucos a nossa casa se tornou um verdadeiro lar. Quanto ao meu ex marido, ele bebeu até desenvolver uma doença grave e acabou falecendo. Meus filhos antes de se casarem compraram uma pequena casa onde hoje eu moro e eles são uma benção na minha vida, nunca me deram trabalho e sou muito agradecida a Deus.

   Já com a minha vida bem estabilizada eu não pensava em conhecer uma pessoa, o que eu queria mesmo na verdade era continuar trabalhando e curtindo os meus netos. Há um ano eu estava passando por uma banca de jornal e comprei uma revista e lá conheci o “Odair”, ele começou a fazer questão de estar sempre na porta da banca para me desejar um bom dia diariamente quando eu passava para ir trabalhar. Um dia ele se colocou na minha frente, perguntou o meu nome e me convidou para bebermos um café. Ficamos alguns minutos conversando e isso começou a se repetir todos os dias, até que aceitei o convite dele para jantarmos. Começamos a namorar, conheci a filha dele que é uma moça maravilhosa e eu tinha achado que finalmente desta vez eu seria feliz ao lado de um homem.

   Quando chegou o dia do meu aniversário, eu ganhei flores em casa e o entregador era um senhor e foi muito educado. O “Odair” achou que eu dei confiança e tudo virou uma confusão e no meio da nossa briga ele me deu um tapa. Na mesma hora ele me pediu perdão e eu mandei ele embora da minha casa e da minha vida. Lembrei de tudo que vivi com o meu ex marido e o quanto eu sofria com as agressões dele. Eu preferi não contar nada para os meus filhos e todos os dias o “Odair” deixa um bilhete com uma rosa na minha porta e continua insistentemente me pedindo perdão. Até a filha dele veio conversar comigo, me falou que nunca o pai dela levantou a mão para agredir a esposa, que era a mãe dela e que ele estava sofrendo muito por tudo que aconteceu. Eu contei para ela o que eu tinha vivido com o meu ex marido e ela me pediu que perdoasse o pai, que ele é uma boa pessoa e acredita que esse fato lamentável nunca mais acontecerá. Eu fiquei de pensar e sem saber o que fazer nesse momento delicado, eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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