12/11/18 - 13:50

Palavra Amiga / Soraia

Boa tarde heleno e família tupi.

   Tenho 35 anos, sou casada, tenho duas filhas e trabalho em casa como boleira. O meu marido, o “Plínio” tem 36 anos e é bombeiro hidráulico. Desde que eu namorava o “Plínio” sempre me dei muito com a família dele, a minha sogra ganhou a fama de bajuladora de nora, mas não é bem assim, ela é uma pessoa que eu considero uma mãe e ela sabe muito bem o filho que tem e não fica passando a mão por cima das coisas erradas que o “Plínio” faz. Lembro que uma vez, ele em pleno final de semana que tínhamos combinado de sair, ele se queixou de dor de cabeça, me deixou em casa e foi cair na farra. Minha sogra não perdoou e no dia seguinte quando fui até a casa dela e o “Plínio” ainda dormia, ela me disse que ele estava de ressaca, tinha bebido demais na festa que ele foi.

   Nós tivemos uma briga muito séria e quase terminamos o nosso namoro. Quando nós casamos a minha sogra fez questão que ficássemos morando com ela e eu achei bom, ela reformou e aumentou o nosso quarto, fez uma suíte, ficou lindo e quando as minhas filhas nasceram ela me ajudou muito, eu não tinha experiência e tudo sei devo a ela. A minha sogra é viúva já há muitos anos e o “Plínio” tem uma irmã que mora aqui perto de nós, ela tem 32 anos e é uma boa pessoa também. Eu fiquei desempregada há alguns anos atrás, sem trabalho e junto com a minha sogra tivemos a ideia de fazer bolos para vender. O rendimento mensal da minha sogra era somente de pouco de mais de um salário mínimo, ela não tinha se aposentado, sempre foi dona de casa e quando o meu sogro faleceu a aposentadoria dele passou para ela.

    Com os bolos a nossa situação melhorou um pouco e a minha sogra fez até um plano de saúde bem básico para ela. O “Plínio” meu marido de uns tempos para cá ele vem fazendo algo que eu detesto, ele está viciado em jogo e está colocando praticamente tudo que ganha nesse vício, eu e a minha sogra estamos sofrendo muito para tirar ele desse vício, mas a única coisa que conseguimos é nos aborrecer. Ultimamente ele tem escondido o contra cheque e quando chega em casa tarde diz que estava fazendo hora extra e vem agindo como um total irresponsável. Toda a despesa da casa caiu nas costas da minha sogra e de mim também, ela coitada até cancelou o plano de saúde que tinha feito e isso me deixou muito magoada com o “Plínio”. Ele começou a mentir, gasta a maior parte do salário em jogatina, não dá mais atenção a família e isso vem nos afetando muito.

    Outro dia nós ficamos sabendo que até dinheiro emprestado com um homem que é uma espécie de agiota ele pegou para pagar uma dívida de jogo. Eu fico com medo, não sei como ele vai pagar essa conta que cresce dia a dia, só que ele nega, mas nós sabemos, pois o homem que ele pegou dinheiro falou com a minha sogra. Assustada, ela falou a filha e a minha cunhada disse que precisamos buscar ajuda, mas não sabemos como. Ela falou que tem um dinheiro guardado na poupança e que se a minha sogra precisar ela paga o que o “Plínio” deve. Eu não quero que a minha cunhada faça isso, ela trabalha muito e pagar a dívida do irmão não está certo. Já a minha sogra está com medo e acha melhor a gente aceitar e tentar controlar o “Plínio” para que ele não faça isso novamente.

    Estamos nesse impasse, por mim, o “Plínio” se meteu nessa enrascada ele que se vire, mas no fundo eu também tô preocupada com essa dívida, o homem para quem ele deve não fez nenhuma ameaça, mas tem avisado constantemente que está precisando receber o dinheiro que emprestou. Na minha cabeça o que vai acontecer é que a minha cunhada vai pagar essa dívida do irmão, ele vai ficar quieto por um tempo e depois vai voltar para o mesmo vício. A minha sogra acha que devemos dar um voto de confiança. Eu tenho trabalhado noite e dia para pagar as contas da casa e não acho certo a minha sogra que é uma senhora de mais de sesenta anos, que deveria estar despreocupada e descansada ficar de madrugada fazendo massas de bolos para vendermos, enquanto o “Plínio” faz cara de coitado.

   Ele se defende dizendo que vai tomar jeito, vai pagar aos pouco a irmã, se ela emprestar mesmo o dinheiro e nunca mais vai jogar. Eu acho que o “Plínio” está encontrando muita facilidade, ele podia muito bem vender o carro que temos e pagar o que deve, mas ele alega que precisa do carro para trabalhar, que o material é pesado e seria muito difícil carregar no transporte público. Sem saber o que fazer nesse momento muito delicado, eu preciso de ajuda, preciso muito ouvir uma “Palavra Amiga”.

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